A entrevista do candidato a governador Wilson Witzel ao AVS

Ex-juiz federal defende parceria público-privada para terminar as obras do Hospital do Câncer
terça-feira, 21 de agosto de 2018
por Alerrandre Barros (alerrandre@avozdaserra.com.br)
A entrevista do candidato a governador Wilson Witzel ao AVS

Será por meio de uma parceria público-privada (PPP) que Wilson Witzel pretende terminar as obras no Hospital do Câncer, em Nova Friburgo, paralisadas desde 2016. Candidato ao governo do Rio de Janeiro, ele também quer fortalecer a exportação de produtos locais e ainda criar o projeto Rio nos trilhos para revitalizar ferrovias turísticas. Friburgo está na lista.

Ex-juiz federal, Witzel é o primeiro dos 12 candidatos ao governo do estado entrevistados por A VOZ DA SERRA. Todos foram convidados a responder às mesmas perguntas sobre Nova Friburgo e a região serrana, e terão o mesmo espaço no jornal a partir de hoje, 21, sempre nas edições de terça a sexta-feira, nesta página.

Aos 50 anos, Wilson Witzel deixou a magistratura em março deste ano e se filiou ao PSC com a promessa de encontrar uma saída para a crise financeira, política e administrativa do estado. O Rio está sob intervenção federal na segurança e tem alguns dos seus principais líderes locais na prisão ou respondendo a acusações de corrupção. O estado enfrenta ainda problemas na prestação de serviços essenciais.

Pouco conhecido, Witzel tem apenas 1% das intenções de voto, segundo pesquisa recente. Nascido em Jundiaí-SP, veio para o Rio aos 19 anos, onde foi fuzileiro naval e defensor público. Atuou como juiz em varas cíveis e criminais por 17 anos. Tem doutorado em Ciência Política e foi professor na FGV e na Uerj. É casado e pai de quatro filhos. Declarou possuir patrimônio de R$ 400 mil.

AVS: O próximo governador assumirá o estado com um rombo estimado este ano de R$ 10 bilhões nos cofres. Como planeja sanear as contas do estado?

Wintzel: Os governos anteriores foram marcados pela corrupção. Teremos que adotar uma postura rígida para reorganizar a máquina administrativa, fazer auditorias nos contratos, realizar cobranças sérias das dívidas fiscais no que diz respeito à dívida ativa e reduzir a sonegação, combatendo a ineficiência e reduzindo gastos.

O Rio de Janeiro tem a maior taxa de desemprego do sudeste. São cerca de 1,2 milhão de pessoas procurando uma oportunidade, segundo a Pnad/IBGE. Como gerar novas vagas?

O projeto Rio nos Trilhos, por meio de parceria público-privada, vai reativar a malha ferroviária de todo o estado e construir novos trechos, causando aumento considerável do número de empregos. Além disso, com medidas efetivas de segurança pública e recuperação fiscal, as empresas se sentirão confortáveis para voltar a investir no estado, gerando empregos.

Moda íntima, indústrias metal-mecânicas, o comércio, a construção civil e a agricultura são motores de Nova Friburgo. Seu futuro governo planeja algum tipo de incentivo para incrementar a economia da    Região Serrana?

Vamos criar uma Zona de Processamento de Exportação. Com o projeto Rio nos Trilhos e a melhoria das estradas locais, a região será beneficiada para aumentar a exportação de seus produtos, levando ao aquecimento da economia local.

O estado está sob intervenção federal na segurança há seis meses. Como evitar a fuga de criminosos da capital para o interior?

A intervenção trouxe benefícios na reorganização das forças de segurança do Estado em um momento de crise e seu legado será aproveitado em nosso governo. Mas não vamos pedir prorrogação da intervenção. Criaremos um gabinete de segurança formado pelo governador e representantes da Polícia Militar, da Polícia Civil, das Forças Armadas e outras organizações. Vamos implantar a Lava Jato da Segurança, baseada na investigação, que vai desmontar o crime organizado em todo o estado.

O Hospital Municipal Raul Sertã, em Nova Friburgo, é uma referência para a região, recebe pacientes de 13 municípios, mas enfrenta dificuldades. Seu governo planeja estadualizar a unidade ou tem algum plano para melhorar o atendimento de urgência?

Com um plano de recuperação, iremos restabelecer as casas de saúde, reduzindo a demanda dos hospitais municipais. Vamos contratar 500 mil consultas por mês com especialistas, comprando o horário vago nas agendas de hospitais particulares pelo preço da tabela Sistema Único de Saúde (SUS).

A Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Conselheiro Paulino não recebe a parte dos recursos que cabe ao governo do estado há mais de três anos. A prefeitura tem mantido a unidade 24 horas com recursos próprios, junto com o governo federal. Qual o seu plano para as UPAs?  

A reorganização administrativa e o fim da corrupção vão gerar recursos da ordem de R$ 2 bilhões que serão destinados à áreas críticas do estado. As UPAs e casas de saúde conveniadas são alguns dos projetos que irão se beneficiar.

E quanto ao Hospital do Câncer, cuja obras em Nova Friburgo estão paralisadas desde 2016?
 

Pretendemos licitar uma Parceria Público-Privada (PPP) para atrair investimentos particulares e terminar as obras do Hospital do Câncer.

Nova Friburgo conta com um campus da Uerj, o Instituto Politécnico do Rio de Janeiro (IPRJ). Como tirar as universidades estaduais (Uerj, Uenf e Uezo) dessa crise sem precedentes?


A reorganização orçamentária, a revisão de contratos superfaturados e a redução de custos serão fundamentais para a revitalização do ensino universitário no Rio de Janeiro. Faremos isso em todas as instituições de ensino do estado.

Friburgo, Teresópolis e Petrópolis são os principais destinos turísticos do estado para quem curte um friozinho. Qual seu plano para alavancar o setor turístico na região?
 

Vamos investir nas ferrovias turísticas no projeto Rio nos Trilhos e transformar a Turisrio, empresa de turismo do estado, em uma grande agência fomentadora.

Depois da tragédia climática de 2011, Friburgo recebeu importantes obras de contenção de encostas, habitação e canalização pluvial, como a do Rio Bengalas. Outras ainda faltam ser executadas na cidade. O senhor pretende fazer alguma mudança na política atual de prevenção a desastres naturais na serra?


Vamos manter a atual política do Corpo de Bombeiros e Defesa Civil que vem dando bons resultados.

Friburgo perdeu o escritório regional do Ibama, que tinha importante papel na fiscalização do desmatamento. A cidade conta agora com o trabalho do Inea e da prefeitura, mas ambos sofrem pressões políticas. O que seu governo fará para evitar a redução da Mata Atlântica, que cobre 45% do território friburguense, segundo o SOS Mata Atlântica?
 

No nosso governo, vamos passar o estado a limpo e deixar a máquina administrativa em ordem. As secretarias e demais setores serão ocupados por profissionais capacitados e sem compromissos políticos. Assim, evitaremos interferências nas decisões, inclusive na política ambiental.

 

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