Entre os cuidados e o soninho do bebê, um blog

Jornalista friburguense faz sucesso ao criar espaço online para compartilhar as delícias e angústias de ser mãe
sábado, 19 de agosto de 2017
por Karine Knust
Jéssica Louredo e Sophia (Fotos: Maressa Almeida)
Jéssica Louredo e Sophia (Fotos: Maressa Almeida)

O universo da internet está cada vez mais democrático. Se antes os portais de notícias tinham a soberania na disseminação de conteúdo, hoje os blogs têm conquistado o seu espaço na rede discutindo os mais variados temas. A maternidade, por exemplo, é um deles. E engana-se quem pensa que os assuntos relacionados a esse universo se restringem a compartilhar momentos memoráveis do bebê e exibi-los orgulhosamente a amigos e parentes distantes.

As mamães estão dispostas sim, a dividir as delícias de ter um filho, mas também querem quebrar os tabus e discutir temas que envolvem as angústias dessa eterna e grandiosa missão. A jornalista friburguense Jéssica Louredo é uma delas. Foi durante as inúmeras pesquisas na internet e a constante busca por relatos de mulheres que passavam pela mesma situação que ela criou, em maio deste ano, o blog “Quando eu virei mãe”.

Jéssica é mãe da pequena Sophia, de 7 meses, e descobriu que estava grávida prestes a subir ao altar. “A gente planejava ter filhos dentro de dois anos, só que acabei casando com o melhor presente do mundo na barriga. E aí, logo depois do grande dia, resolvi me focar totalmente nos preparativos para a chegada da Soso e virei a louca do Google”, conta Jéssica, aos risos.

Apesar de ter mergulhado de cabeça nas pesquisas, foi uma experiência dura e pessoal que fez com que a jornalista resolvesse deixar de apenas ler para também compartilhar sua bagagem com outras mães.

“Minha gestação foi bem tranquila em relação a Sophia, graças a Deus correu tudo bem com o desenvolvimento dela. Já eu tive de tudo um pouco, desde os conhecidos enjoos à síndrome do túnel do carpo (dormência na mão e no braço causados por um nervo comprimido no punho) e uma alergia que me rendeu pequenas feridas pelo corpo. Mas foi depois do nascimento dela que passei pela experiência mais difícil. Tive uma crise de ansiedade no pós-parto bastante intensa. Nesse momento, me vi tentando encontrar conforto no relato de alguém através da internet, mas não achei quase nada nesse sentido. Foi aí que resolvi criar meu próprio espaço para trocar experiências”.

Mãe sim. E humana, também

Com quase 40 mil curtidas no Facebook e com o texto intitulado “Crise de ansiedade no pós-parto” no topo do ranking dos mais lidos do blog, a iniciativa da jornalista friburguense já se mostra um sucesso e revela uma realidade cada vez mais presente: das mães que amam e se preocupam com seus filhos, mas que também admitem que a missão não é um mar de rosas.

“Ao criar o ‘Quando eu virei mãe’ e começar a compartilhar minhas experiências, percebi que, muitas vezes, é necessário que alguém toque em certos assuntos para que outras pessoas criem coragem para contar que passam pela mesma situação. Tenho recebido diversas mensagens de mães que passaram ou estão passando por algo relacionado ao que já escrevi. E é muito gratificante saber que, com o meu relato, ajudei de alguma forma. Acho que existem muitos padrões pré-estabelecidos em torno da maternidade que não são reais. É necessário compartilhar experiências, abrir espaço para discussões e mostrar que além de mães somos seres humanos e não super máquinas”, defende Jéssica, acrescentando que “o bacana é que geramos uma grande rede de informação, já que a partir das minhas vivências, outras pessoas acabam contando a experiência delas também”.

Um pequeno ser, muito aprendizado

Uma criança transforma a vida dos que a cercam e, por vezes, tem o poder de ensinar muito mais do que aprender. Mãe de primeira viagem, além de compartilhar experiências das mudanças físicas e hormonais dessa fase, Jéssica também aproveita o espaço para dividir com outras mamães dicas dos mais variados temas desse universo, dentre eles a preparação para a chegada do bebê.

“A minha experiência tem sido maravilhosa. Acho que as primeiras semanas são de adaptação. Os pais e o bebê estão se conhecendo. Depois dessa fase é muito interessante como a gente aprende a conhecer aquele ser. Aprende o significado de cada choro, gesto, expressão. Li e pesquisei muito, queria ter certeza de que estaria preparada. Achava que se estavam vendendo certo tipo de coisa era porque seria útil, e imagina que se eu não tivesse e precisasse acabaria arruinando a primeira infância da Soso. Loucura, né? Na verdade, hoje sei que queria me sentir mais segura. Tinha muito medo de como seria, porque eu não tinha nenhuma experiência com bebês, eu não sabia nem segurar um direito, mas foi natural com a Sophia. E é legal compartilhar isso com outras mães que ainda aguardam a chegada do seu bebê, porque acho que não devemos nos cobrar, e sim, deixar fluir”.

Que durante a primeira infância o bebê demanda muita atenção, todo mundo sabe. Mas, se é assim, como mães blogueiras conseguem arranjar tempo e ter cabeça para escrever? Jéssica é rápida em responder: “Eu normalmente escrevo entre uma troca de fraldas e outra, enquanto ela está dormindo. E me comprometo a tentar fazer duas postagens por semana. Acho que o blog acabará servindo como um diário que a Sophia vai gostar de ler no futuro. Eu nunca me senti tão feliz em escrever algo quanto agora, afinal, é sobre a parte mais bonita e feliz da minha vida”.

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