Tudo indicava que o ensaio técnico de blocos e escolas de samba, realizado no domingo, 7, seria o maior sucesso, não fosse o grande atraso ocorrido. O público até que compareceu e lotou a Avenida Alberto Braune no início, mas depois das 22h as arquibancadas começaram a esvaziar, até ficar sem praticamente ninguém para ver as duas últimas escolas. Na hora marcada, 17h, ainda não havia nenhum movimento dos desfilantes e pouca gente nas arquibancadas. Aglomeração mesmo só na choperia, onde a banda Dos 9 aos 90 fazia o aquecimento. A banda desfilou no sentido inverso, em direção ao fim da avenida, arrastando muita gente. Depois disso, a pista da Alberto Braune voltou a ficar vazia, ao contrário das arquibancadas, que iam enchendo. Havia surgido um problema envolvendo a eletricidade e o caminhão de som. Reuniões dos diretores das agremiações, Liga das Escolas de Samba e Blocos e autoridades se sucediam e o desfile só começou mesmo após as 19 horas.
RAIO DE LUZAR – O bloco azul e branco de Duas Pedras desfilou com os intérpretes Kaísso, Jéferson e Damásio; Dominguinhos no cavaquinho e Diguinho no violão. O bloco foi precedido pelo Rei Momo Rogério de Souza Mello, e pela Rainha do Carnaval, Rafaela Pâmela do Nascimento, eleitos na véspera. Passou com cerca de cem integrantes. O enredo do bloco é Salve São Jorge Guerreiro, Ogum Brasileiro.
IMPERATRIZ DE OLARIA – Com os intérpretes Kaísso, Ezequiel, Big de Olaria e Lúcia Helena, Léo do Cavaco e Átila no cavaquinho, e Ivan no violão, a escola vermelho e branco de Olaria levou à avenida cerca de 500 figurantes. O enredo é Imperatriz Opus 32 – a história da ópera com a evolução das orquestras. Comissão de frente evoluindo, mestre-sala e porta-bandeira e a bateria cantaram com força o samba-enredo. O povão foi atrás do caminhão de som fazendo a maior festa.
UNIDOS DA SAUDADE – Evandro Malandro, Marcinho, Jefinho e Paulinho Guaraná foram os intérpretes da roxo e branco do Bairro Ypu, que teve no cavaquinho Paulo Vítor e Vilmar e Diguinho no violão, que desfilaram no chão, ao contrário dos anteriores, que passaram no caminhão de som. Tinha cerca 850 integrantes. O enredo é África, da majestade viva aos tumbeiros – a saga e herança de seus guerreiros. Atrás da comissão de frente, integrada só por moças, uma galera muito animada passou segurando bolas de soprar na cor roxa, dando um colorido todo especial à avenida. A bateria veio logo atrás do caminhão de som, levando outras alas com muita empolgação.
VILAGE NO SAMBA – Os intérpretes da verde e branco de Duas Pedras foram Marcello Pinguim, Gibi e Júnior, tendo nas cordas Dominguinhos do Cavaco, Adonai do Violão e Maicon do Bandolim. O enredo A Saga de José, rei dos sonhos e príncipe da fé foi cantado por cerca de 700 integrantes. A novidade da Vilage foi um pequeno carro, que o compositor Jéferson Lima chamou de pede passagem. Na concentração, o prefeito Heródoto Bento de Mello, que chegou de viagem, visitou a escola. A comissão de frente, só com moças, fazia evoluções bem ensaiadas e o carro pede passagem aspergia papel laminado picado. Sucederam-se as alas, também com evoluções e muita animação, inclusive uma delas com mulheres da terceira idade. Intérpretes e músicos desfilaram no chão.
ALUNOS DO SAMBA – A azul e branco de Conselheiro Paulino teve como intérpretes Nego Roger, Nego Dal, Beto Simpatia, Alessandro e Sabará; Cici no cavaquinho e Enroladinho no violão. O enredo é O meu azul é mais bonito. O Alunão foi muito prejudicado pelo horário, pois muitos integrantes foram para casa devido ao horário de ônibus, trabalho ou estudo no dia seguinte. Na concentração houve protestos e os ânimos chegaram a se exaltar. Diretores alegavam que esse tipo de evento deveria ocorrer no sábado. Ao mesmo tempo em que protestavam, diretores tentavam motivar os foliões. Se havia pouca gente para desfilar, havia menos ainda nas arquibancadas, praticamente vazias. A bateria é que ainda tinha um número maior de componentes e passou fazendo a maior zoeira.
ACADÊMICOS DO PRADO – Mateus, Natan, Molejão e Rodrigo foram os intérpretes da verde e rosa do Prado, que passou também com Jefinho, Leozinho e Dailan no cavaquinho, e Fabiano e Diguinho no violão. O enredo é Ser diferente é normal – Apae, a célula viva do amor. A escola também foi prejudicada pelo grande atraso devido à dispersão dos foliões, também por motivo de horário de ônibus, trabalho e estudo no dia seguinte. O vice-presidente Antônio Carlos da Silva (Carlinhos), também sugeria para o próximo ano o ensaio técnico no sábado e com horário sendo cumprido rigorosamente. Já o presidente Hugo Reis da Silva é de opinião que o ensaio técnico é necessário, inclusive podendo continuar no domingo, desde que com horário rigoroso. O presidente mostrava-se preocupado com o horário para o desfile oficial, no domingo de Carnaval. Por isso mesmo a escola vai destacar uma pessoa para ser fiscal dos horários. Só para se ter uma ideia do atraso do ensaio técnico, a Acadêmicos do Prado iniciou seu desfile à 1h55, com a Alberto Braune praticamente deserta. A comissão de frente até que passou fazendo evoluções, porém, seguida de poucos componentes. A bateria, intérpretes e músicos ainda mantiveram a animação e também os moradores da Avenida Alberto Braune acordados até quase 3h da madrugada.
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