Em busca da identidade

segunda-feira, 30 de maio de 2016
por Jornal A Voz da Serra

DESDE O governo do ex-prefeito Heródoto Bento de Mello, em 2010, repousa nas mesas do Executivo municipal uma proposta apresentada pela Secretaria Municipal de Cultura contendo cerca de 150 imóveis, públicos e privados de Nova Friburgo, que poderiam ser tombados considerando o interesse histórico cultural para o município. Aquele governo tentou, assim, preservar a memória arquitetônica da cidade.

SOB TODOS os aspectos, a proposta apresentada na época foi bem-vinda, quer para a memória friburguense, quer para se tornar um redutor ao avanço imobiliário, principalmente no centro da cidade. Se todos os imóveis sugeridos serão tombados, não se sabe ainda, porém, apesar dos anos, a proposta sinaliza com o disciplinamento de um tema do qual governante nenhum poderá se esquivar. Ou deveria.

A DECISÃO do Executivo, se tomada, não significará a perda do imóvel, podendo o proprietário transacioná-lo como quiser. Porém, como o tombamento foi proposto para dignificar o elemento arquitetônico, garantindo a sua manutenção e preservação, este não deveria ser destruído ou descaracterizado. E qualquer obra de restauração do imóvel tombado deverá ser previamente aprovada.          

A PREOCUPAÇÃO com o patrimônio não é apenas dos friburguenses. Por diversos municípios da região, espalham-se monumentos, igrejas, fazendas e prédios históricos que ainda não foram catalogados e que podem se perder pela insensibilidade dos homens e dos governantes. São incontáveis os casos de demolição e de abandono de prédios de notável valor arquitetônico e histórico.

TAMBÉM é elogiável a preocupação das autoridades com os prédios particulares de valor histórico. Tais imóveis devem merecer a atenção, quando se fala na preservação, em cultura e história de Nova Friburgo e muitos deles estão à mercê do tempo e do dinheiro. Uma política de incentivos para a manutenção dos imóveis pode ajudar a manter o patrimônio que infelizmente, em alguns casos, denigre a imagem turística do município e agride a autoestima friburguense.

NOVA FRIBURGO vem assistindo ao crescimento urbano, à expansão imobiliária e à ocupação de suas áreas de risco, tornando o planejamento urbano um desafio que não pode aguardar soluções futuras. Medidas preventivas devem ser tomadas, organizando o crescimento de acordo com as aspirações da população em torno da qualidade de vida. E guardando, através do tombamento, um patrimônio enquanto ainda está de pé. A proposta, apesar de antiga, não deve escapar da gestão dos governantes, hoje e sempre.

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