EDITORIAL - Sem postura

quarta-feira, 09 de abril de 2014
por Jornal A Voz da Serra

A VOZ DA SERRA vem diariamente publicando cartas de seus leitores reclamando das precárias condições do trânsito em Nova Friburgo, que chega agora à casa dos 100 mil veículos. De diversos pontos da cidade os leitores não poupam críticas sob todas as formas.

ÔNIBUS desconfortáveis e apinhados de gente, falta de conservação das ruas esburacadas, ausência de guardas e fiscais em pontos nevrálgicos, proibições, multas, IPVA, pontos perdidos e reboques fazem parte do cotidiano friburguense, que agora, mais do que nunca, se vê absorvendo a nova "cultura” de endeusamento do veículo em detrimento da qualidade de vida do pedestre e, consequentemente, de todos os cidadãos. Nova Friburgo vive espremida e insegura pelas vias ocupadas pelo automóvel.

AS RECLAMAÇÕES não param aí. O arbítrio, a decisão apressada e a falta de planejamento do governo também são fatores que incomodam o friburguense. Agora, mais recentemente, a intenção de proibir a circulação de ônibus intermunicipais pela cidade criou um caso de grande descontentamento dos usuários, empurrando-os para a periferia (rodoviárias Norte e Sul), impondo uma despesa a mais no transporte, pois os passageiros são obrigados a pagar passagem à Faol para chegarem ao Centro.

A DECISÃO, de acordo com as autoridades da Secretaria de Ordem e Mobilidade Urbana, está nas mãos do prefeito Rogério Cabral, que, entretanto, não analisou o pleito, permanecendo a polêmica e desagradando os usuários. Se os ônibus intermunicipais atrapalham o trânsito friburguense, como mostra o governo, o que dizer dos caminhões das cimenteiras que trafegam diariamente na cidade, provocando lentidão nas principais vias e poluição no ar?

MAS OUTROS problemas existem. Não cabem todos os usuários passageiros nos modestos abrigos de ônibus existentes desde o governo do ex-prefeito Paulo Azevedo, na década de 1990, e que ao longo dos anos só fazem deteriorar. O espaço é pequeno para o avanço urbano de Nova Friburgo, o aumento de linhas e a mobilização de sua população por novos bairros e cidades vizinhas.

TRABALHADORES, estudantes, idosos, todos enfim dependem do transporte coletivo e todo o seu aparato para conforto e facilidade de acesso. Os abrigos, assim como as calçadas em seu entorno, fazem parte da mobilidade urbana e do sistema de transporte público. O friburguense não pode ficar na chuva quanto a esta questão. 

MESMO com tantos projetos expansionistas de desenvolvimento e progresso, Nova Friburgo continua sofrendo de males antigos, que por diversas administrações foram negligenciados e se constituem em efetivo problema de urbanidade e civilização nos dias de hoje. O perigo está perto de todos. Nas calçadas e nas ruas.


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