Editorial - Punição verde

terça-feira, 16 de junho de 2009
por Jornal A Voz da Serra

TRÊS grandes redes de supermercados suspenderam a compra de carnes de frigoríficos apontados pelo MPF (Ministério Público Federal) do Pará como comercializadores de gado criado em área de devastação da Amazônia. Entre os suspeitos estão alguns dos maiores frigoríficos do país. Os gigantes da alimentação resolveram tomar a atitude em conjunto, após a denúncia do Ministério Público Federal e da ONG Greenpeace.

SEGUNDO as redes varejistas, a iniciativa inclui a notificação dos frigoríficos, a suspensão de compras das fazendas denunciadas e exigências de guias de trânsito animal anexadas às notas fiscais dos frigoríficos. Estão ainda na lista das notificações do MPF processadores de alimentos, como Sadia e Perdigão, e fabricantes de calçados, como a Vulcabras.

ALÉM DO desmatamento amazônico, a nossa Mata Atlântica sofreu e sofre constante devastação, como nos estados de Santa Catarina, Minas Gerais e Bahia. A Lei da Mata Atlântica - que só permite o desmate do bioma em casos excepcionais, como para realizar projetos de utilidade pública - tem sido ignorada. Em vez de punição, os envolvidos são incentivados a permanecer no local.

A CRISE ambiental do governo Lula, que tem como foco a irredutibilidade do ministro Carlos Minc e a briga quase desleal de ambientalistas contra pecuaristas e agricultores mostra que o lado mais fraco está perdendo a luta. Se não forem tomadas medidas punitivas rigorosas, o território brasileiro ficará à mercê da saga impiedosa dos comerciantes, estimulados por outros grupos de interesse, inclusive dentro do governo.

NO ESTADO do Rio, a Mata Atlântica também sofre o assédio devastador, obrigando o governo a tomar atitudes preservacionistas e a avançar na fiscalização contra o desmatamento. São visíveis e elogiáveis as atitudes do governador Sérgio Cabral para deter este avanço criminoso, não deixando também de se preocupar com o uso de agrotóxicos em plantações fluminenses. Mas é preciso mais.

NOVA FRIBURGO, que ainda possui um valioso patrimônio natural, também deve ficar atento a esse risco ambiental e mais: precisa urgentemente tomar atitudes preservacionistas para que este quinhão não se deteriore. O olho do mundo está voltado para o Brasil, por sua natureza abundante e rica. É preciso, portanto, não decepcionar os que acreditam na generosidade das nossas matas e rios como fator de salvação planetária, principalmente os friburguenses.

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