EDITORIAL - Pare, siga e tente voltar

quinta-feira, 13 de novembro de 2014
por Jornal A Voz da Serra

NÃO TEM sido fácil a vida dos que dependem do trânsito na Avenida Roberto Silveira para se locomover. A via, parte da RJ-116 que corta o centro da cidade, tem o volume de tráfego prejudicado por obras de contenção da margem do Rio Bengalas em um longo trecho. Para quem vem ao Centro ou vice-versa, a romaria toma longo tempo, prejudicando o cotidiano de milhares de pessoas.

SÃO LOUVÁVEIS, naturalmente, as obras que vêm sendo realizadas ao longo da avenida, ainda que às custas de transtornos que, espera-se, terminem o mais rápido possível. Contudo, o problema do trânsito para os usuários está longe de ser resolvido. Não é difícil uma viagem do Centro a Conselheiro Paulino ultrapassar os 40 minutos de duração, num trecho de apenas sete quilômetros.

É COMUM ouvirmos usuários que trafegam na rodovia dizer que não compensa mais trabalhar no Centro e residir naquele distrito. Ou se faz tudo num só local ou a perda com a locomoção torna inviável manter diariamente esta viagem. Nos horários de pico, então, o tempo perdido é maior. E o pior: não há solução ideal à vista, pois usar as vias alternativas é chover no molhado.

O DISTRITO de Conselheiro Paulino, conforme demonstrou a repórter Dayane Emrich na edição de ontem de A VOZ DA SERRA, concentra inúmeras empresas do polo de moda íntima, sem falar nas indústrias metalúrgicas e metal-mecânicas, além de um farto comércio. Milhares de habitantes convivem com a dura realidade do transporte e as difíceis condições do trânsito. Para estes, o ir e vir é um extenuante exercício de paciência.

AS ROTAS alternativas sugeridas para driblar o trânsito na Roberto Silveira, como sugerem os administradores, não estão preparadas para suportar o fluxo de veículos. As avenidas dos Ferroviários e a Nossa Senhora do Amparo não possuem um piso adequado, com calçamentos irregulares, diversos locais com estacionamentos que prejudicam o fluxo e a permanente falta de fiscalização por parte da Autran.

O CRESCIMENTO de Nova Friburgo, com suas potencialidades de um lado e a falta de planejamento de outro, está sendo prejudicado pela ausência de infraestrutura que suporte o seu desenvolvimento. A cidade está despreparada para suportar sua evolução, quer pelas condições físicas como a habitação, o urbanismo, a saúde e a educação, quer pelas condições sociais como a preservação ambiental, o incentivo ao turismo, ao lazer e à cultura. 

TRATA-SE DE um desafio permanente que deve começar com o administrador atual e continuar com os próximos, pensando Nova Friburgo não apenas no imediatismo eleitoral e, sim, numa continuidade que irá beneficiar a população com soluções permanentes. Para tanto, é necessário modificar o pensamento dos nossos políticos para um trabalho de gestão de longo prazo e não apenas de um mandato. Uma tarefa de todos os cidadãos. 

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