APESAR dos avanços da democracia no país, principalmente com o fim da ditadura e a ascensão das conquistas sociais para a população brasileira, muitos ainda vivem no tempo da intransigência, da insensibilidade e da visão tolhida dos que governavam de cima para baixo, surdos às reivindicações populares. É o caso da prefeitura de Nova Friburgo com relação aos professores da rede municipal de ensino.
PARADOS há 25 dias, os professores travam uma luta quase inglória com o Executivo, prolongando uma negociação que já poderia ter sido concretizada consensualmente pelas partes, não fosse a negativa do governo municipal em reconhecer legítimos direitos da categoria, talvez, infelizmente, a mais prejudicada do país na atual conjuntura. Basta ver os noticiários que dão conta do martírio passado pelos professores na árdua missão de educar o povo brasileiro em tempos de globalização.
O PEDIDO de ilegalidade da greve, feito pela prefeitura ao Tribunal Regional do Trabalho, foi negado, empurrando a decisão do movimento para o dia 9. Tal decisão frustra o governo em seu intento de forçar um recuo da categoria numa manobra intimidatória que reflete a disposição da prefeitura em não dialogar com os grevistas. Atitude típica dos que detêm o poder político e não pretendem reparti-lo com a sociedade.
O DESCONTO dos dias parados, feito pela prefeitura, é outro fator desestimulante e indicativo de que a greve não será encerrada em clima de harmonia entre os professores e o governo municipal. Trata-se de uma queda de braços cujo fim terá somente um perdedor: a educação pública friburguense. Este, definitivamente, não é um resultado pelo qual todos torcem e desejam.
OS PROFESSORES, isto é notório, fazem parte de uma categoria desprestigiada pelos governos, que permanecem até agora cegos quanto ao futuro do país. Não enxergam na formação educacional a única saída para o desenvolvimento da nação, não reconhecem o valor do magistério para o crescimento do indivíduo e não encaram a educação como fator de mudança da Humanidade. Ao invés disso, pagam-lhes baixos salários, achatando-os na escala social afastando-os das salas de aula, desestimulando o ensino.
O FIM dessa constatação é sombrio: alunos mal educados, mal preparados para o mercado de trabalho e, o que é pior, incapacitados para exercer a plena cidadania. Será que desejamos isto para os nossos filhos? Será este o futuro glorioso de uma nação que busca o crescimento econômico e a felicidade de sua gente? O governo, infelizmente, rema contra a correnteza do rio chamado progresso.

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