Editorial - Inclusão longe de muitos.

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010
por Jornal A Voz da Serra

O BRASIL permanece na liderança na América Latina como o país com o maior número de telefones celulares. Em 2009, o país fechou o ano com 174 milhões de linhas de telefonia móvel. Estamos chegando a quase um aparelho por habitante e breve seremos uma das nações que concentrarão o maior número de telefones celulares do planeta. O celular é uma verdadeira ‘utilidade pública’, um bem imprescindível hoje em dia.

QUANDO O assunto é navegar o país também não fica para trás. O número de brasileiros com algum acesso à internet nas residências vem aumentando ano a ano e os internautas conectados em casa passam de 40 milhões. O estado do Rio, no conjunto, é um dos líderes nacionais com políticas públicas que reforçam a internet como principal fonte de informação e comunicação.

O RIO VEM implantando diversos programas de inclusão digital nas escolas públicas e nos ambientes socioeducacionais e possui uma das mais importantes redes de computadores para o desenvolvimento científico e tecnológico – a Rede Rio. Graças a ela, é possível o acesso a instituições de ensino e pesquisa, agências governamentais e empresas públicas e privadas de pesquisa aberta.

PORÉM NEM toda a evolução tecnológica chega aos municípios do interior fluminense, mais notadamente na área rural, deixando milhares na contramão da inclusão digital. Embora possuam milhares de aparelhos celulares e computadores, parcela expressiva da população não recebe as benesses da era eletrônica.

O TELEFONE, instrumento indispensável, não presta nenhum serviço de utilidade pública a muitas localidades. Sem um eficiente sistema de telefonia torna-se difícil manter contatos comerciais com os centros consumidores, deixando comunidades sem comunicação com os núcleos urbanos e com o resto do mundo, com perdas evidentes, inclusive financeiras.

SE O SIMPLES telefone não existe, a internet vai no mesmo descompasso. Desconectados da rede mundial de computadores, crianças, jovens e adultos são privados da maior rede de informação do planeta, transformando-se em ‘excluídos digitais’. Uma ferida aberta na democratização das telecomunicações e uma ausência de liderança política capaz de solucionar este problema a nível estadual ou federal.

OS MAIORES interessados na solução do problema devem ser os governos municipais evitando-se que uma parcela responsável da economia rural fique sem as necessárias condições de comunicação. Corrigindo este erro, poderiam estender os benefícios às comunidades que ainda não se beneficiam dos avanços tecnológicos, melhorando a vida de todos. Aí, sim, poderíamos ter a desejada inclusão digital, que por enquanto ainda é sonho.

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