EDITORIAL - Guardiã da história

segunda-feira, 02 de junho de 2014
por Jornal A Voz da Serra

TRABALHO importante para a preservação da memória friburguense vem sendo desenvolvido pela professora e historiadora Janaína Botelho em Nova Friburgo. Através de uma linguagem ao mesmo tempo rica em detalhes e de fácil comunicação com o público em geral, a professora divulga a memória friburguense em inúmeros aspectos da vida social, sem se prender apenas aos valores da colonização do município. Janaína fala das coisas do povo para o povo, sendo o resultado disso um sucesso inequívoco.

SEUS ESTUDOS podem ser lidos nas páginas de A VOZ DA SERRA, onde assina uma coluna repleta de informações sobre o passado friburguense, construindo semanalmente um rico painel do cotidiano da cidade atraindo a atenção dos leitores, como demonstram as inúmeras mensagens que recebe elogiando o seu trabalho. Sua atuação na divulgação da memória local também se estende à televisão, com o programa História de Nova Friburgo.

SE, DE UM lado a memória friburguense está bem preservada, como no trabalho de Janaína, o presente nem tanto. Por falta de vontade política, a cultura e, por extensão, a memória, não tem sido distinguida por diversas administrações. Prova disso é a atuação do Conselho municipal de Cultura, que ainda não entrou em sintonia com os desejos da população nem ousou com propostas que levassem a cidade a um patamar mais elevado na cultura do Estado do Rio.

EXISTE UM interesse do Iphan em manter preservado o rico patrimônio fluminense. Porém, infelizmente não podemos dizer o mesmo quanto a Nova Friburgo. Há décadas a cidade carece de uma estruturação acerca de seu patrimônio material e natural, quer na preservação do acervo arquitetônico que ainda resta, quer na preservação da nossa Mata Atlântica, esta sim, o maior patrimônio friburguense.

A MEMÓRIA do município vem sendo muito bem guardada através do Pró-Memória. O acervo de livros, fotografias, mapas, jornais e demais documentos realmente denota a preocupação com o nosso passado, as tradições e a história do município. Porém, não é apenas isto que compõe o patrimônio de Nova Friburgo. Ele está nas ruas, nos casarios, nos prédios centenários, nas igrejas e praças, nas matas, e pede ajuda.

A INQUIETAÇÃO é compartilhada também com aqueles que se preocupam com a história friburguense, como Janaína Botelho, e encontram naquele setor o seu principal acervo para pesquisas. Além disso, devido à sua abrangência histórica, até então bem guardada, tornou-se referencial para diversos municípios resgatarem suas respectivas memórias. Tais virtudes, portanto, não podem prescindir de uma infraestrutura compatível com o material que conserva. A fonte não jorra mais, o rio está poluído, a praça é suja e mal-iluminada. Os exemplos existem e são erros que não deveriam compor a paisagem de uma cidade que, chegando aos 200 anos, ainda não conseguiu corrigir.

PARA O tão sonhado turismo, como imagina o governo, o patrimônio friburguense precisa de uma intervenção séria, de manutenção e preservação, se ainda quisermos manter vivos os tempos de outrora. O trabalho da professora, portanto, é uma colaboração inestimável que reforça a autoestima da população e torna vivo um passado de tantas glórias que vale a pena ser conhecido por todos. E respeitado.

TAGS: