EDITORIAL - Exercício de cidadania

terça-feira, 22 de abril de 2014
por Jornal A Voz da Serra

GANHA força em toda a sociedade brasileira a discussão sobre

a reforma política como forma de estancar a onda de irregularidades na vida

pública, praticamente interminável. O mais recente escândalo da vida

parlamentar brasileira é o que envolve o deputado paranaense petista André

Vargas em atos obscuros com o doleiro Alberto Youssef, além do impasse na

criação de CPI para investigar a Petrobras e o superfaturamento em obras como o

Porto de Suape e o Comperj. Sem falar na compra, pela estatal brasileira, da

refinaria de Pasadena pela "bagatela” de US$ 1,2 bilhão, um bom negócio, sem

dúvida, para os norte-americanos.

NA MESMA balada, o Tribunal de Contas da União (TCU) vive às

voltas com processos para investigar as decisões administrativas irregulares. E

está requisitando atos que autorizam o pagamento de horas extras, concessão de

benefícios, admissões de parentes de funcionários do Congresso. São,

principalmente, atos que desrespeitam a Constituição Federal e que deveriam ser

anulados, cabendo o ressarcimento ao Tesouro Nacional.

O CIDADÃO brasileiro cada dia se desencanta mais com relação

ao processo político, fato este comprovado a cada período eleitoral,

evidenciado pelos votos brancos, nulos e abstenções verificadas em cada

eleição. Diferentemente do que ocorre em outros países, o brasileiro não se

sente atraído nem vinculado a políticos ou partidos políticos. Em razão de sua

dimensão e complexidade, os partidos distanciaram-se do indivíduo, as decisões

políticas são tomadas em gabinetes, entre um punhado de líderes partidários,

sem que haja a menor condição de participação popular.

COM O objetivo de obter vantagens individuais imediatas, os

políticos hoje, infelizmente, não representam mais a sociedade, esquecendo que

os partidos são associações de pessoas unidas pelos mesmos ideais. Hoje os

partidos chegam ao cúmulo de omitir seus endereços, para evitar o ingresso de

novos associados que possam vir a tumultuar a "paz interna” dos detentores do

comando político.

A INFLUÊNCIA negativa decorrente dessa ausência atinge a

todos os municípios, indistintamente. A mudança poria fim a uma série de

dissabores e escândalos que hoje assolam a sociedade brasileira, transmitindo a

perspectiva de melhores dias para a nossa democracia. O desafio é grande, mas a

vontade popular poderá obter êxito na medida em que os parlamentares forem

pressionados pelos eleitores a discutir e votar o mais rápido possível as

sonhadas mudanças.

OS POLÍTICOS que vislumbram as eleições de 2014, disputando

as cadeiras do governo estadual, legislativo fluminense e no Congresso

Nacional, deveriam mostrar ao eleitor um novo viés das atribuições públicas,

lutando pela moralização de uma classe que, se está ruim com ela, através do

desempenho de alguns irresponsáveis, seria pior sem ela, pois ainda é a melhor

alternativa para atender os grandes desafios da sociedade brasileira e da democracia.

 

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