GANHA força em toda a sociedade brasileira a discussão sobre
a reforma política como forma de estancar a onda de irregularidades na vida
pública, praticamente interminável. O mais recente escândalo da vida
parlamentar brasileira é o que envolve o deputado paranaense petista André
Vargas em atos obscuros com o doleiro Alberto Youssef, além do impasse na
criação de CPI para investigar a Petrobras e o superfaturamento em obras como o
Porto de Suape e o Comperj. Sem falar na compra, pela estatal brasileira, da
refinaria de Pasadena pela "bagatela” de US$ 1,2 bilhão, um bom negócio, sem
dúvida, para os norte-americanos.
NA MESMA balada, o Tribunal de Contas da União (TCU) vive às
voltas com processos para investigar as decisões administrativas irregulares. E
está requisitando atos que autorizam o pagamento de horas extras, concessão de
benefícios, admissões de parentes de funcionários do Congresso. São,
principalmente, atos que desrespeitam a Constituição Federal e que deveriam ser
anulados, cabendo o ressarcimento ao Tesouro Nacional.
O CIDADÃO brasileiro cada dia se desencanta mais com relação
ao processo político, fato este comprovado a cada período eleitoral,
evidenciado pelos votos brancos, nulos e abstenções verificadas em cada
eleição. Diferentemente do que ocorre em outros países, o brasileiro não se
sente atraído nem vinculado a políticos ou partidos políticos. Em razão de sua
dimensão e complexidade, os partidos distanciaram-se do indivíduo, as decisões
políticas são tomadas em gabinetes, entre um punhado de líderes partidários,
sem que haja a menor condição de participação popular.
COM O objetivo de obter vantagens individuais imediatas, os
políticos hoje, infelizmente, não representam mais a sociedade, esquecendo que
os partidos são associações de pessoas unidas pelos mesmos ideais. Hoje os
partidos chegam ao cúmulo de omitir seus endereços, para evitar o ingresso de
novos associados que possam vir a tumultuar a "paz interna” dos detentores do
comando político.
A INFLUÊNCIA negativa decorrente dessa ausência atinge a
todos os municípios, indistintamente. A mudança poria fim a uma série de
dissabores e escândalos que hoje assolam a sociedade brasileira, transmitindo a
perspectiva de melhores dias para a nossa democracia. O desafio é grande, mas a
vontade popular poderá obter êxito na medida em que os parlamentares forem
pressionados pelos eleitores a discutir e votar o mais rápido possível as
sonhadas mudanças.
OS POLÍTICOS que vislumbram as eleições de 2014, disputando
as cadeiras do governo estadual, legislativo fluminense e no Congresso
Nacional, deveriam mostrar ao eleitor um novo viés das atribuições públicas,
lutando pela moralização de uma classe que, se está ruim com ela, através do
desempenho de alguns irresponsáveis, seria pior sem ela, pois ainda é a melhor
alternativa para atender os grandes desafios da sociedade brasileira e da democracia.

Deixe o seu comentário