O LAMENTO do governador Sergio Cabral, quando de sua visita a Nova Friburgo nesta terça-feira, foi a resposta sincera obtida para sabermos quando e onde serão construídas as casas para os que perderam suas moradias na chuva de janeiro passado. Por enquanto, nada. A vontade existe, mas faltam terrenos seguros. Um ano após a chuva, a população ainda vê e sente na pele os efeitos danosos que causam desconforto e indignação a todos.
A ESPERA pelas verbas necessárias à continuidade da reconstrução da cidade deixa toda a comunidade preocupada, com toda a razão, pois o orçamento, estimado após a tragédia em R$ 1 bilhão, está longe de ser atingido. Resta aguardar o dinheiro chegar aos cofres do estado, contando com o aval de Brasília e de instituições financeiras internacionais, como o Banco Mundial.
A Emop estima em dois anos e meio a recuperação das cidades atingidas. Serão dezenas de intervenções em encostas de grande porte somente na área urbana de Nova Friburgo, o que certamente exigirá muitos recursos do governo. É fácil perceber que teremos um longo período de recuperação que só poderá ser concluído com verbas suficientes e projetos de reconstrução de curto, médio e longo prazos. Problemas crônicos que já ocorriam foram agravados ainda mais com a tragédia, como a falta de moradia. As construções precisam avançar com rapidez e permitir um lar para centenas de famílias desabrigadas e desalojadas.
COMO O solo friburguense não permite utilizar uma grande área para construção das casas, então que se adequem os projetos à realidade serrana, oferecendo moradias em locais menores, embora a custos mais elevados, porém, satisfazendo as necessidades da população. O projeto Cingapura em São Paulo, considerando as dimensões, foi uma boa alternativa para o grande centro e pode ser avaliado localmente.
AINDA vivemos sob o impacto da tragédia e neste tempo algumas medidas avançaram, mas é visível a falta de obras que garantam mais segurança para a população. A pressão da sociedade é legítima, apesar das promessas das autoridades. Embora saibamos da morosidade do Estado em atender emergencialmente a população, a exemplo do Morro do Bumba, em Niterói, e em Angra dos Reis, o tempo é de espera e de renovação da confiança.

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