EDITORIAL - E agora, prefeito?

segunda-feira, 12 de maio de 2014
por Jornal A Voz da Serra

A FORMAÇÃO de uma estrutura cultural no município, considerando os equipamentos e instituições que são administrados pelo Executivo, tem sido um grande desafio dos administradores públicos para atrair a população friburguense a este imenso manancial de conhecimento, cidadania e entretenimento. Os exemplos positivos de cada apresentação realizada no Teatro Municipal Laercio Ventura estão aí para comprovar o interesse dos cidadãos pela cultura. E existe muito mais.

OUTRO DESAFIO do governo é dar continuidade ao processo de valorização da produção artística friburguense, oferecendo espaços adequados para a apresentação dos inúmeros grupos que compõem a comunidade cultural de Nova Friburgo. Neste campo, as nunca cumpridas promessas dos candidatos com a cultura formam um painel que não estimula produtores e aumenta o desinteresse da população pelas manifestações artísticas na cidade.

O CRESCIMENTO populacional do município requer a ampliação das atividades culturais, oferecendo produções à comunidade não apenas nos bairros centrais, mas, principalmente, nos distritos mais afastados, permitindo que haja uma verdadeira inclusão cultural da população. Isto pode ser feito através de parcerias com as comunidades, pois estas participam — e, tradicionalmente, os resultados sempre superam as expectativas.

O COMPROMISSO da cultura com a população não se restringe apenas aos friburguenses. Braço direito do turismo, o setor motiva a geração de novos negócios que ampliam o conceito do município como capital cultural do interior fluminense, prestando serviços de qualidade não apenas aos seus habitantes como também aos de cidades vizinhas, carentes dessa formação. Para tanto, cabe ao governo avançar nas políticas públicas de incentivo cultural, continuando o trabalho incansável de todos os governos que o antecederam. 

TAMBÉM é de importância relevante a participação da Câmara Municipal no processo cultural friburguense através da elaboração de leis que beneficiem a população com estímulos para a formação de plateias e vantagens fiscais para os patrocinadores de eventos culturais. Muitas iniciativas já foram tomadas em benefício das artes e da cultura, porém, é necessário que o Poder Público avalie e debata este setor que gera emprego e renda no município. 

A INCLUSÃO de Nova Friburgo no Plano Nacional de Cultura, lançado pelo governo federal em 2008, permite que a sociedade organizada elabore projetos que tornem o setor cultural do município um fator de crescimento econômico, fortalecendo as diversas linhas de ação que existem na cidade. E mais ainda, criar uma consciência que reforce as tradições e valores históricos da desejada "cultura friburguense”, atualizada com os avanços tecnológicos e a globalização dos dias de hoje.

CABE, PORTANTO, ao governo municipal, através da Secretaria de Cultura, planejar e realizar um trabalho consistente que beneficie toda a população e motive a classe artística a desenvolver seus trabalhos na cidade. É preciso acabar com a falácia governamental da falta de dinheiro público para a cultura. Está faltando criatividade e vontade política para levar adiante este compromisso.

NESTE MÊS de aniversário da cidade, o prefeito Rogério Cabral poderia presentear o município reconhecendo a falta de estímulos à cultura e oferecer alternativas para elevar a autoestima da população. Como exemplo, poderia anunciar a remodelação do Centro de Arte, a restauração de monumentos, a continuidade da política de tombamento de imóveis de valor histórico e a lei de incentivos fiscais para a cultura. A população saberia agradecer.  

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