Editorial - Direito à oposição

terça-feira, 24 de fevereiro de 2015
por Jornal A Voz da Serra

MANIFESTO divulgado no último dia 20, assinado por intelectuais e nomes de peso na vida nacional, inclusive nas hostes petistas, protesta contra a tentativa de destruição da Petrobras. O documento conclama as "forças vivas da nação a cerrarem fileiras em uma ampla aliança nacional, acima de interesses partidários ou ideológicos, em torno da democracia e da Petrobras”. 


O DOCUMENTO está em consonância com o Partido dos Trabalhadores, que reunido em Belo Horizonte para comemorar seu 35º aniversário, lançou uma nova resolução política que lembra a tática utilizada pelos regimes totalitários e autoritários.  O partido — afundado em denúncias investigadas pela Operação Lava Jato e sofrendo sucessivas derrotas políticas no Congresso — recorre à caça a inimigos imaginários, responsáveis por todos os males que acometem o país.


OS DESCALABROS cometidos na Petrobras são definidos como tentativa de "revogar o regime de partilha no pré-sal, destruir a política de conteúdo nacional e, inclusive, privatizar a empresa”. As investigações da Operação Lava Jato estariam sendo "instrumentalizadas, de forma fraudulenta, por objetivos partidários”, diz a resolução, como se os problemas da Petrobras fossem causados pela oposição ou pela Polícia Federal.


NÃO FALTOU ao discurso petista a negativa à oposição, o direito de fazer seu trabalho. Qualquer contestação ao governo Dilma é vista como "golpismo” de "elites que não conseguem vencer e nem convencer pelas ideias”. São acusações graves que buscam desqualificar quem emite opiniões contrárias às do governo e do PT, quem resiste ao partido no Congresso Nacional e também quem defende a saída da presidente Dilma Rousseff por vias institucionais previstas na Constituição. 


EM SUA intolerância contra a oposição, a cúpula do partido trata todas essas posturas, perfeitamente legítimas e amparadas pela liberdade de expressão, como crimes. Se o PT quer encontrar os responsáveis pela situação atual da Petrobras, deveria olhar para seu próprio umbigo e para o governo, em vez de responsabilizar quem está trazendo a público a roubalheira. 


COMO CONSOLO, o país assiste a ações que, por meio da Operação Lava Jato, conduzem as investigações, coletam provas e compõem os processos de denúncia para que os culpados sejam devidamente julgados e condenados. Graças à oposição, a sociedade está vencendo a batalha contra a corrupção, e não contra a Petrobras.


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