EDITORIAL - De volta às ruas

segunda-feira, 16 de março de 2015
por Jornal A Voz da Serra

PELA PRIMEIRA vez depois do fenômeno de massas deflagrado em junho de 2013, os friburguenses, assim como milhões de brasileiros, deram uma clara demonstração de maturidade democrática nos atos que, iniciados ainda na sexta-feira, favoráveis ao Planalto, culminaram domingo com manifestações expressivas de crítica e rejeição ao governo Dilma Rousseff.

O GOVERO NÃO TEVE como ignorar as reivindicações. Os cidadãos vestidos predominantemente de verde e amarelo que tomaram ruas e praças das principais cidades do país, domingo, disseram com clareza que não suportam mais a corrupção, que estão insatisfeitos com o governo e que esperam soluções para a instabilidade política e econômica. Cabe à presidente Dilma Rousseff dar as respostas.

O BRASIL PROTESTOU e disse pacífica e inequivocamente o que quer. Felizmente, os excessos e ameaças verificados nas redes sociais não se materializaram. O ponto destoante foram alguns equívocos tanto na pauta dos defensores do governo quanto na de seus opositores, como o lobby em defesa de corporativismos e da partidarização da máquina, visível nos atos de apoiadores da presidente Dilma.

NO DOMINGO, igualmente, foi o caso de um pedido precipitado de impeachment, diante da inexistência de um fato concreto, neste momento, para respaldá-lo. Outros absurdos isolados, como pedidos de intervenção militar, só podem ser explicados pelo desconhecimento das consequências de uma ruptura ou do papel das instituições. Mas, no seu conjunto, as manifestações mostraram por todo o país uma predominância do bom senso e da civilidade, o que contribui para o fortalecimento da democracia.

DEPOIS DESSA nova onda de manifestações, é imperioso que o governo se mostre mais humilde, mais disposto ao diálogo, à transparência e à comunicação franca. E que a presidente da República assuma a sua responsabilidade e dê respostas práticas, coerentes e eficazes às demandas nacionais.

 OS CIDADÃOS querem ver também o cumprimento na prática de suas promessas de campanha, que tomaram rumo inverso com a disparada da inflação, o retrocesso na produção e o aumento do desemprego — tudo isso potencializado pela instabilidade política. O recado das ruas já foi dado. Cabe agora ao governo acatá-lo, em respeito à democracia.


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