EDITORIAL - Cultura ainda em passos lentos

domingo, 15 de março de 2015
por Jornal A Voz da Serra

UMA SIMPLES VISITA ao site da Secretaria Municipal de Cultura (secretariamunicipaldeculturanf.blogspot.com.br) surpreende quem busca na agenda cultural de Nova Friburgo eventos que possam complementar o cotidiano da cidade com entretenimento, lazer, arte e cultura. Porém, a intenção é prejudicada pela decepção de nada encontrar.

DESATUALIZADO e sem o que oferecer, tem-se a impressão de que a cultura friburguense estacionou. Avançando no terceiro mês do ano, ainda não se viu nenhuma programação oficial do governo, dentro de suas atribuições constitucionais. A Cultura, presumimos, está fora do orçamento municipal e, o que é pior, não aparenta fazer modificação que altere o rumo dos acontecimentos.

NÃO É A PRIMEIRA vez que A VOZ DA SERRA se une ao coro dos descontentes pela falta de uma programação cultural nos espaços públicos da cidade. Música, exposições, atividades culturais não são contempladas há algum tempo, deixando estas promoções a cargo da iniciativa privada, como o Sesc, o Sesi, o Country Clube, os colégios. O governo permanece estático.

O PRINCIPAL ESPAÇO PÚBLICO dos artistas friburguenses, o Centro de Arte, continua fechado e tem um futuro incerto. Nada é informado sobre quando voltará a funcionar. Incorporado à Fundação Dom João VI, que administra aquele imóvel, as instalações correm o risco de perder a sua função de oferecer arte à população, considerando sua funcionalidade e a localização no coração da cidade. Mais ainda, seu teatro serve na medida para pequenos projetos culturais que não demandem grande espaço para apresentações, como o Teatro Municipal.

SEM PERDER O SENTIDO da importância para o município, pleiteia-se a criação da lei de incentivo cultural e outros mecanismos de gestão que valorizem e promovam a cultura em Nova Friburgo. Porém, esbarramos na demora do Conselho Municipal de Política Cultural (CMPC) em exercer suas funções. Os novos membros foram empossados em fevereiro passado e já deveriam estar atuando em benefício da comunidade. 

NÃO PODEMOS MAIS CONVIVER com cultura da subsistência. Não podemos mais aceitar a condição de gerir a cultura sem o mínimo de recursos financeiros. Tamanho patrimônio não pode ficar à mercê de decisões tomadas em gabinetes, sem ter um orçamento próprio e sem contar com a participação comunitária. Dada sua importância no contexto regional fluminense, Nova Friburgo merece bem mais.


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