EDITORIAL - Cadê a fiscalização?

domingo, 09 de novembro de 2014
por Jornal A Voz da Serra

OS PROBLEMAS ambientais do Brasil vão de mal a pior. A negligência governamental está permitindo um desmatamento desolador de nossas florestas. Relatório "O Futuro Climático da Amazônia” revela que, até o ano passado, o desmatamento daquele bioma somou 762.979 quilômetros quadrados, o equivalente a três estados de São Paulo ou a 184 milhões de campos de futebol. Tragédia vergonhosa.

A OCUPAÇÃO da Amazônia já destruiu 42 bilhões de árvores — mais de 2 mil árvores por minuto, de forma ininterrupta, nos últimos 40 anos. Somando-se o desmatamento e a degradação, segundo o relatório, a destruição da Amazônia alcança mais de 2 milhões de quilômetros quadrados. Isto coloca em risco a regulação do clima na região Sudeste, reduzindo a capacidade de exportar sua umidade para outras regiões através dos "rios voadores”.

A SECA na região Sudeste, mais especificamente no estado de São Paulo, contudo, não tem relação direta com o que ocorre na Amazônia. Parte disso é reflexo do desmatamento da Mata Atlântica e do aquecimento climático que atinge também diversos municípios fluminenses, como São Fidélis, um dos mais prejudicados. Mas Nova Friburgo também está nesta "UTI ambiental”.

REPORTAGEM publicada na edição de ontem de A VOZ DA SERRA mostra a influência negativa do desmatamento no Parque Imperial com o avanço de construções muitas vezes irregulares na inevitável especulação imobiliária. Assim como lá, desrespeitos são cometidos em diversos outros bairros.

NOVA FRIBURGO sofre com a especulação e, o que é pior, não parece existir fiscalização capaz de impedir que a ilegalidade prevaleça. Os órgãos ambientais fazem vista grossa para diversas irregularidades, não assumem responsabilidade fiscalizatória e frequentemente empurram o problema para outras instâncias. E com isto, sob diversas alegações, ninguém faz nada e o problema permanece, incólume.

ASSIM COMO a Amazônia sofre com o desleixo das autoridades, Nova Friburgo repete a mesma incompetência, em menor escala, mas nem por isso menos preocupante. É preciso disciplinar a questão ambiental no município, punindo infratores, regularizando a questão fundiária para não repetirmos os mesmos erros que danificam irreversivelmente a maior floresta do planeta. A responsabilidade é de todos.


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