EDITORIAL - Ano difícil

terça-feira, 10 de março de 2015
por Jornal A Voz da Serra

CORTE NOS gastos públicos, restrição aos benefícios sociais e aumentos de energia e água são alguns fatores que tornam o exercício de 2015 um ano difícil para a população brasileira. A retração econômica também se faz presente em Nova Friburgo com o corte de R$ 40 milhões no orçamento da municipalidade, conforme divulgado pela Prefeitura. O ano promete arrocho com retração dos investimentos, refletindo também no bolso dos consumidores.

COM ALTA acumulada em 7,7% nos últimos 12 meses, é pouco provável que o governo federal consiga manter a inflação no centro da meta de 4,5% e, tampouco, no limite máximo de 6,5%, ou seja, com tantos e seguidos aumentos nos preços dos combustíveis, do transporte, da energia elétrica e dos alimentos, o monstro inflacionário poderá superar a marca de 10% no acumulado de 12 meses antes mesmo de dezembro chegar.

TUDO ISSO porque a inflação já estourou diversas vezes o teto da meta no ano passado, mesmo com o governo controlando os chamados preços administrados. O grupo transporte foi o que mais pesou para a alta dos preços em fevereiro, na comparação com janeiro, sobretudo em virtude da alta de 8,42% nos preços da gasolina, ainda que seja difícil entender como o combustível subiu quase 9% e a inflação no setor tenha ficado em 0,41%.

O FATO É que a presidente Dilma Rousseff descobriu que nuvens escuras e carregadas estão pairando sobre o Palácio do Planalto e a equipe econômica deve acender a luz de alerta para impedir a volta do monstro da inflação. Com a inflação batendo na casa de 7,7% no acumulado dos últimos 12 meses, as pessoas começam a perder o sono. 

COM ESSES  7,7% nos últimos 12 meses, volta a ser real a possibilidade de a inflação superar dois dígitos no final de 2015, o que seria péssimo para toda a economia. O fato é que com o monstro da inflação dando sinais de que pode estar acordando do sono, a presidente Dilma Rousseff precisa cortar os gastos públicos para garantir um desenvolvimento sustentável, sem podar o consumo privado, sem aumentar impostos e, sobretudo, sem retirar importantes conquistas sociais e trabalhistas da sociedade.

A MATEMÁTICA de tanto ajuste nas contas será de difícil solução. Se ajustar como precisa, o governo cortará os investimentos. Cortando-os, o país não cresce, o desemprego aumenta e a crise social se instala. Somando a alta nos preços dos combustíveis, da energia elétrica e da água, sobra pouco para o brasileiro, num ano que está só começando e a inflação ronda os preços, para temor de toda a sociedade. Situação complicada e sem solução favorável no curto prazo.


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