EDITORIAL - A graça da garça

terça-feira, 06 de maio de 2014
por Jornal A Voz da Serra

A FOTOGRAFIA publicada na coluna Massimo, na edição de ontem de A VOZ DA SERRA, resgatou a esperança pela volta da vida em nosso principal rio — o Bengalas. Assoreado por muitos anos de negligência dos administradores e falta de consciência ambiental por parte da população, o velho rio foi degenerando, a ponto de se transformar num "valão”, bem diferente dos tempos em que se podia ver a água fluir tranquilamente, e até mesmo admirar peixes em seu caminho.

O RETRATO atual, entretanto, mostra avanços que não podemos deixar de observar. A preocupação ambiental, a consciência ecológica e os investimentos públicos estão ajudando a recuperar o Bengalas, como vimos no flagrante enviado à redação pelo leitor Jorge Plácido: uma garça saboreando um peixe. Uma feliz imagem para ser guardada.

A QUESTÃO ambiental no Brasil está permanentemente no foco das atenções dos políticos, dos empresários e da população pela diversidade dos nossos problemas que não são comuns de norte a sul do país. Cada região possui sua própria carência de gestão ambiental, mas em comum, todas têm a preocupação com a nossa privilegiada diversidade, que hoje corre perigo em todos os cantos. 

TAMANHO patrimônio natural não deve sobreviver sem a devida atenção das autoridades, pois está em risco a vida de milhões de pessoas, que até agora somente assistiram a degradação e esperam a tão sonhada solução. Neste contexto situa-se a Mata Atlântica, da qual Nova Friburgo detém uma parcela substancial em seu território.

NESTE MÊS, quando comemoramos mais um aniversário de fundação de Nova Friburgo, é um período conveniente para se discutir e, se possível, começar o que todos aguardam — medidas de proteção e conservação. O que não devemos fazer nós já sabemos. A discussão engloba desde os nossos mananciais de água às florestas, a poluição, a coleta seletiva do lixo, o tratamento de esgoto, como também a educação ambiental e uma nova postura da sociedade frente ao meio ambiente.

AS RIQUEZAS produzidas nos últimos 50 anos quintuplicaram, os automóveis somam mais de 500 milhões em todo o mundo, e tamanho consumo não permitiu à natureza a renovação das fontes de matérias-primas. É preciso racionalizar enquanto é tempo.

COMO HÁ muito a fazer, é preciso que a população esteja consciente em termos de educação ambiental. Não jogar lixo nos rios e nas ruas, por exemplo, pode parecer atitude despretensiosa e isolada, porém, se multiplicada pela população, fornece excelentes resultados para minimizar o impacto das inundações. É necessário que cada um faça a sua parte para tornar Nova Friburgo uma cidade ambientalmente agradável e com mais qualidade de vida. A natureza saberá agradecer.

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