É tempo de alta temporada nas academias de ginástica

Aumenta a procura de alunos incentivados pelo verão e o carnaval
quarta-feira, 11 de janeiro de 2017
por Ana Borges
É tempo de alta temporada nas academias de ginástica

As férias de fim de ano acabaram e o trabalhador de todos os setores da sociedade está de volta à labuta e às academias de ginástica. Estão todas funcionando a pleno vapor, e apesar de alguns poucos alunos ainda estarem de férias, a demanda sempre aumenta nesta época. “A culpa” — respondem, numa só voz, cerca de 30 frenéticos malhadores agarrados em seus equipamentos numa academia no centro da cidade — “é do verão!” 

Uma das adeptas do corpo sarado, do tipo bonitona e extrovertida, explica: “Sou muito vaidosa, mas também muito preguiçosa nesse quesito exercício físico. Então, confesso, só me animo a malhar nessa época, no máximo por uns seis meses, porque me sinto motivada. Começo a ficar animada em fins de outubro, início de novembro e vou nesse embalo até março, por causa do carnaval. Eu desfilo nas escolas, então … além do corpo sarado, tenho que estar com bom fôlego pra aguentar a maratona. Mas, quando vai esfriando, o inverno chegando, tô fora. Esqueço academia por um bom tempo”, revela Joseane Stutz Campos, de 32 anos, gerente de loja. 

O Brasil tem o segundo maior mercado do mundo, com circuito de 34.500 academias, 9,7 milhões de alunos e faturamento de R$ 7 bilhões. Segundo especialistas, apesar da crise, o setor vem num crescendo contínuo. Professores de educação física são unânimes em afirmar: “Aumentou a preocupação com a saúde e a estética, sem nenhuma dúvida. Atualmente, 60% das pessoas vão às academias para se manter saudável, sem nenhuma outra expectativa a não ser saúde”. 

No entanto, esses espaços não param de acrescentar novidades para atrair novos clientes. Para tanto, oferecem cada vez mais serviços, e nas capitais e grandes cidades, algumas academias estão se transformando em verdadeiros centros de entretenimento. “Já tem até personal trainer fazendo às vezes de psicólogo. Aliás, acho que daqui a pouco vai mesmo ter professores com habilitações para outros tipos de atendimentos, com currículos mais interessantes. Já tem academia que incorporou atividades que utilizam apetrechos como cabos, tiras, alongamentos entre outras novidades, e parece que essa expansão não tem limites”, avaliou Edson Luís Freitas Sanglard, professor de educação física e sócio de academia no centro de Friburgo.

Condicionamento, em todos os sentidos 


O empresário Evaldo Debossan, 41 anos, praticante de exercício físico, frequentador assíduo de academia, teve que ser medicado devido a uma crise de ansiedade. Acordou no meio da noite com taquicardia, falta de ar e outros sintomas. O que provocou o mal-estar? Segundo ele, a inatividade, provocada pelo braço quebrado, há cerca de um mês. Evaldo é casado, tem 3 filhos, e é hiperativo: trabalha sete dias por semana, faz pilates com treinamento funcional há cinco anos, corre, caminha, e cria porcos, galinha, e outros bichos em sua propriedade semirrural, em Amparo. O moço não para. E ainda por cima é super alegre, falante e bem-humorado, vive dando risada. “Faço exercícios há anos porque tenho tendinite no ombro, nos punhos, e problemas na coluna cervical. Preciso de um bom condicionamento físico para não sentir dores e ter disposição.   

Aliás, foi cuidando da bicharada que levou um tombo e caiu sobre o braço. Resumindo: está há um mês sem poder trabalhar, ir à academia e cuidar de seus animais. “Surtei. É demais pra mim ficar vendo todo mundo trabalhando e eu só assistindo. Parece que estou de castigo. Por mais bem-humorado que eu seja, chega uma hora que o corpo reclama por estar parado. Até engordei. Se eu fosse viciado em alguma coisa, diria que estou em abstinência. Diante do quadro que apresentei, o médico me receitou um calmante pra me ajudar a ter paciência até me livrar desse gesso”, contou.

Já a jovem Manoela dos Santos Costa, 19 anos, sente necessidade de cuidar da postura devido à profissão de manicure/pedicure. “Fico muitas horas sentada, com o corpo inclinado pra frente e cabeça abaixada. Em seis meses engordei uns cinco quilos e isso me deixou preocupada porque toda a minha família é gordinha, tanto por parte de pai como de mãe. Eu sou a única que nunca teve problema de peso. Se vou começar a ter, quero me prevenir, porque quanto mais tempo passar, sei que vai ser mais difícil de me recuperar. Por tudo isso, decidi começar a me cuidar”, explicou Manú.

Quanto ao mercado de moda fitness, as vendas atingem o ápice exatamente às vésperas da chegada do verão. Segundo a proprietária de loja desse segmento, situada no Centro, Mônica Fristacchi, além do boom antes e durante a estação mais quente, as vendas aumentam bastante em duas épocas distintas: após o verão e inverno. “É o tempo das promoções. Como trabalhamos com um volume de estoque bem variado, sempre temos ótimas opções para disponibilizar para nossa clientela”, comentou Mônica.

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