Dalva Ventura
Uma avalanche de e-mails tem circulado pela internet com informações falsas e alarmistas. Um dos textos mais difundidos tenta alertar que a campanha contra a nova gripe seria uma grande conspiração para reduzir a população do planeta. A mensagem mais veiculada, porém, afirma que a vacina contém substâncias tóxicas, como mercúrio, que centenas tiveram sequelas graves causadas pela vacinação, entre elas, a síndrome de Guillain-Barré, que afeta o sistema neurológico.
Um desses e-mails, intitulado A farsa sobre a gripe suína, diz que a vacina pode ser fatal e recomenda à população para não tomar. “Pesquise antes!!! Diga não à vacina!!!”, alertam. Alguns desses e-mails anunciam que a vacina pode ter efeitos colaterais graves e, para comprovar, mostram vídeos como sendo a vacina muito perigosa: um médico diz que não daria a vacina aos seus filhos, a TV Portuguesa noticia que a vacina pode ser fatal, cientistas e enfermeiras se recusam a tomar a vacina e por aí vai.
O Ministério da Saúde nega as informações, garante que boatos e e-mails como esses são irresponsáveis e que ocorrem em todas as campanhas realizadas pelo mundo. Mais de 300 milhões de pessoas já foram imunizadas com esta vacina no Hemisfério Norte sem qualquer efeito colateral grave. “A vacina é eficaz, segura e protege a população”, garante o órgão federal.
A VOZ DA SERRA esteve na Policlínica Centro, no Suspiro, para verificar como a população está aderindo à vacina e constatou que pelo menos por enquanto os boatos não estão comprometendo a imunização. As gestantes começaram a ser vacinadas na segunda-feira, 22, e as 130 doses disponíveis da vacina terminaram. Tanto que a vacinação teve de ser interrompida no dia seguinte. Quem esteve no posto para se vacinar teve que voltar nesta quarta-feira, 24, pois as outras doses só chegariam no fim da tarde.
A informação é da coordenadora de imunização do município, Luzia Regina Forny, que ressalta estar tendo até problemas. Como a vacina contra a gripe H1N1 por enquanto não foi disponibilizada para toda a população, as pessoas estão reclamando. Querem saber por que a vacina não está sendo aplicada em todos. Isso está acontecendo porque os municípios seguem as orientações do Ministério da Saúde. A prioridade na vacinação foi para os grupos que no ano passado tiveram reações mais graves à gripe H1N1.
Luzia Forny admite que toda vacinação envolve algum risco e há possibilidades de efeitos colaterais, como ocorre com todo medicamento. Só que a doença, às vezes, é muito mais grave do que aqueles eventos adversos já esperados, que a pessoa pode ou não apresentar. Por isso mesmo as autoridades de saúde trabalham com risco-benefício. A H1N1 foi mais grave nesses grupos definidos pelo Ministério da Saúde. O risco de pegar uma gripe dessas e ter uma complicação é muito maior do que o que se pode ter com a vacina. A ocorrência da síndrome de Guillain-Barré tão citada nos e-mails que circulam pela rede é de uma para cem mil, ou seja, é uma possibilidade muito pequena.
Os postos de saúde estão vacinando grávidas, crianças de seis meses a dois anos e portadores de doenças crônicas, de dois a nove anos. A coordenadora de imunização do município garante que haverá vacina para todos, mas o Ministério da Saúde está disponibilizando-a em cotas.
Os hospitais particulares endossam as afirmações do ministério e também estão aplicando em seus profissionais a vacina distribuída pelo governo federal – a mesma que está sendo usada em toda a população.
Boatos são comuns durante as campanhas de vacinação
Pânico e boataria em campanhas de imunização não são novidades. Em 1904, quando o médico sanitarista Oswaldo Cruz quis livrar o Rio de Janeiro da varíola, a população se rebelou contra uma lei federal que obrigava as pessoas a se vacinarem. Durante quatro dias a cidade, que era, então, a capital do país, viveu dias de guerra. Bondes foram tombados, trilhos arrancados e barricadas armadas. O episódio, conhecido como a Revolta da Vacina, marcou a história da Primeira República. Mas, graças às medidas de higienização tomadas e também à vacina, a doença foi erradicada do Brasil em 1973, e em 1980 declarada extinta pela Organização Mundial da Saúde (OMS).
Em 2008 uma onda de boatos também deixou muitas pessoas com medo de se vacinar contra a rubéola. Circularam na internet boatos de que, ao invés de imunizar a população, o governo brasileiro pretendia esterilizar as pessoas em idade reprodutiva para fazer controle de natalidade. Felizmente, porém, a campanha foi um sucesso e o Brasil está prestes a receber o certificado de País Livre da Rubéola e da Síndrome da Rubéola Congênita.

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