Duas caminhadas - 22 a 24 de outubro 2011

Por Carlos Emerson Junior *
sexta-feira, 21 de outubro de 2011
por Jornal A Voz da Serra
Duas caminhadas - 22 a 24 de outubro 2011
Duas caminhadas - 22 a 24 de outubro 2011

Hoje em dia caminhada é sinônimo de saúde e incentivada no mundo todo. Pode ser feita em qualquer lugar, é prazerosa e não tem contra indicações. Além disso, é um ótimo exercício mental, principalmente quando você escolhe uma trilha ao ar livre, onde se pode ter um contato grande com a natureza.

Como sou adepto incondicional das caminhadas e adoro flanar por Nova Friburgo, vou deixar o egoísmo de lado e compartilhar com os leitores dois bons roteiros urbanos, que também podem ser feitos por bicicletas, sem a menor dificuldade.

O primeiro é a conhecida Estrada Velha de Mury ou Estrada do Trem, um de meus favoritos. Para aqueles que estão fora de forma, recomendo iniciar o passeio no sentido da Ypu, aproveitando o declive suave. Aí é só curtir a temperatura amena e o visual exuberante, que varia do rural ao urbano.

O trajeto começa na ponte de acesso à Avenida Hamburgo, no centro de Mury, e termina na ponte de saída da velha Fábrica Ypu. Apesar de alguns desvios, não tem como errar, basta seguir os postes de luz. A região é habitada e você terá a companhia de moradores, ciclistas e corredores para cima e para baixo. O trânsito de automóveis é muito reduzido mas é bom ficar atento.

Na altura do antigo Cavs tome cuidado: a estrada caiu e a passagem é complicada. São seis quilômetros de uma ponte até a outra, com um declive total de 90 metros e o piso varia entre asfalto, paralelepípedo e terra. Fiz o trajeto em uma hora e meia, incluindo aí as paradas obrigatórias para tirar fotos.

Essa trilha tem história. Lá passava o trem que vinha de Cantagalo, atravessava Nova Friburgo e descia a serra. A linha foi desativada em 1964 e infelizmente não sobrou um trilho sequer. Já a Usina Hans, construída em 1911 para fornecer energia elétrica às fábricas da cidade, ainda está de pé e muito bem conservada.

Enfim, trata-se de um roteiro bonito, cheio de atrativos. Com sinalização adequada nos acessos e durante o percurso, uma boa divulgação e conservação adequada, seria um sucesso.

A segunda trilha é bem mais curta, muito interessante e tem a vantagem de se situar no Centro de Nova Friburgo: a descida das Braunes até o Tingly e daí à Praça Getúlio Vargas.

O início é na Rua Manoel Antunes Nogueira, atrás da Estácio de Sá. Na primeira bifurcação vamos entrar à esquerda, em uma via de terra, a Rua Formosa. Apesar de isolada e sem nenhuma sinalização, a estradinha é tranquila e segura. Por via das dúvidas, é conveniente fazer esse roteiro sempre pela manhã e em dias ensolarados. Se chover, você não terá nenhuma proteção.

O visual do Tingly lá embaixo é sensacional e mergulhando pela mata adentro, ficamos com a impressão que saímos completamente da cidade. Cuidado com o piso seco e cheio de pedriscos que podem provocar um tombo. Em alguns trechos as ladeiras são bastante íngremes e pedem atenção. Vá devagar, curtindo o visual, o ar muito puro e o silêncio.

Logo chegamos em um vale com vários sítios e logo à frente o piso de chão acaba, dando lugar a uma rua com paralelepípedos. Estamos no Tingly e aí é moleza. Basta atravessar o simpático bairro (que lembra muito uma cidade do interior), tomar a estrada asfaltada e começar uma nova descida para o Centro.

Não deixe de dar uma olhada na Loja Maçônica e no Seminário Diocesano, locais de grande beleza, curiosamente, um quase em frente do outro. Dê uma parada no barzinho para tomar uma água e siga adiante. A etapa final é acompanhada por um riacho e algumas quedas d’água, sempre protegidos pela mata bem fechada.

Algumas informações do GPS: o trecho percorrido foi de 2,8 quilômetros, com a altitude variando de 1.010 a 859 metros, um declive forte de 150 metros. Gastei 40 minutos para ir até a Rua Monsenhor Miranda, com diversas paradas para tirar fotos e apreciar a paisagem. Imagino que uma caminhada forte, direto, dure no máximo uns 30 minutos. Quem tiver fôlego e disposição suficiente, pode tentar fazer o percurso no sentido inverso, mas já vou avisando que estou fora!

Dizem que “trilhas são a principal ligação entre o visitante o ambiente natural. Elas podem conduzir aos atrativos ou ainda ser o próprio atrativo”. Pois é, temos as belezas naturais e as trilhas mas não aproveitamos nenhuma delas.

Uma pena.

* carlosemersonjr@gmail.com

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