“Pais e Filhos” (Otcy i Deti), publicado em 1862, é considerado a obra-prima do russo Ivan Turguêniev. Como eu nunca li outros livros do autor, da minha parte, restrinjo-me a dizer que é um livro profundo, bonito e muito bem escrito (Henry Miller, em um de seus Trópicos—me esqueço agora qual—afirma que Turguêniev é a perfeição da forma, o que foi suficiente para me fazer procurar o autor nos sebos). “Pais e Filhos” é um dos meus livros favoritos.
Lembro que fiquei muito tempo pensando nele, após terminar de lê-lo, e, embora hoje eu me recorde muito pouco acerca da história propriamente dita, de certa forma, eu posso dizer, o livro me transformou, passou a fazer parte de mim.
O mote de “Pais e Filhos”, como o título pode indicar, é o “conflito de gerações”, e se passa em um momento de transformações sociais e políticas na Rússia, principalmente a partir da criação e crescimento do movimento niilista, bem como a disputa ideológica entre liberais e conservadores, acirrada. Enfim, é uma época politicamente conturbada naquele país. Pode-se dizer, portanto, que “Pais e Filhos” é um romance político.
Turguêniev usa os personagens como protótipos destes modelos de pensamento, ao mesmo tempo em que lhes confere uma dimensão própria, de singularidade, transformando-os em “pessoas de verdade”. São personagens ricos e bem-definidos. Não há como confundir um com o outro.
Bom, talvez eu só me lembre vagamente da história, conforme já disse aqui, justamente porque o livro é focado em personagens, nas conversas, nos encontros e desencontros de ideias, no debate; e com isso, toda a questão sentimental envolvendo família, amizade e namoros.
***
O fim é triste...
***
Seja como filho(a), como pai (mãe), ou como sujeito político, o leitor encontrará em “Pais e Filhos” uma leitura magnífica; triste, porém cheia de amor.
Deixe o seu comentário