Leonardo Lima
Quando abriu sua locadora em 1995, Carlos Eduardo Aguiar, o Guinga, sabia que a concorrência no mercado seria grande. Como ele mesmo conta, havia cerca de cem unidades em Nova Friburgo, sendo 20 só no Centro. Entretanto, 17 anos depois esse cenário é bem diferente. “Hoje esse número caiu muito. No Centro acho que só tem umas seis. Nos bairros elas praticamente deixaram de existir”, afirma, revelando que a venda de cópias ilegais teve grande parcela de culpa para a iminente extinção das videolocadoras. “A pirataria incomoda muito, sem dúvida. Talvez nem tanto em Nova Friburgo, pois aqui não vemos bancas vendendo DVDs como no Rio de Janeiro, por exemplo. Vez ou outra até sai no jornal uma apreensão, às vezes na feira de Olaria, mas isso não é sempre”, diz.
Para Guinga, a principal causa da diminuição do número de concorrentes foi o aumento de pessoas com acesso à internet. “Hoje é possível ver um filme que nem entrou nos cinemas ainda”, aponta. Entretanto, ele explica que esse é só mais um obstáculo encontrado desde que trabalha no ramo. “O auge das videolocadoras foi de 1985 a 1997. Depois, quando entrou a tevê a cabo, o movimento caiu pela metade. Todos achavam que veriam os últimos lançamentos em casa, mas perceberam que não era bem assim. O filme sai do cinema, vai para a locação e só depois chega aos canais fechados”, explica.
Segundo ele, o que salvou o mercado foi a introdução dos DVDs, sobretudo a partir de 2001. “Observo muito o que acontece nos Estados Unidos. Tudo o que rola lá, chega nos outros países um tempo depois. Em 1998 o DVD já era febre. Percebi que seu sucesso no Brasil era questão de tempo, então comecei a comprar vários deles. O mesmo eu não vejo acontecendo com o Blu-Ray. Não irá pegar, pois há, geralmente em pessoas mais antigas, uma aversão à tecnologia, e para usufruir de suas vantagens são necessários uma tevê de alta definição e um cabo HDMI”, analisa.
De acordo com Guinga, a próxima moda no país deverá ser a locação através de pendrive, a exemplo do que já acontece nos Estados Unidos. “Isso resolveria o meu problema de falta de espaço aqui na locadora”, ressalta, apontando para seu acervo de cerca de sete mil cópias. “Tinha umas nove mil, mas perdi muita coisa na última enchente”. Mas afinal: qual o diferencial que o empresário adota para se manter no mercado? “Fazer promoção é muito difícil. Historicamente, o preço de uma locação corresponde à metade de uma entrada no cinema, mas isso não acontece, esse valor já é menor. O que podemos fazer é oferecer um prazo maior para devolução. Clientes que moram em Lumiar e São Pedro eu dou três, quatro dias” revela.
Além da flexibilidade, Guinga aposta também no seu conhecimento. “Olha, para trabalhar neste ramo tem que conhecer mesmo. Não posso ficar aqui apenas fazendo as locações. Já teve vezes que alertei clientes para escolher outro filme, pois sabendo o perfil deles, tinha certeza que não gostariam. Tudo que assisto hoje é com um olhar crítico. Estou no cinema e já penso para quem posso indicar aquele filme”, conta o empresário, que garante ver uma média de 14 filmes por semana.
Em Lumiar, loja de CDs aposta nos chamados “artistas alternativos”
Não são apenas as videolocadoras que estão se tornando cada vez mais raras. Responda rápido: quantas lojas de CDs existem em Nova Friburgo? Certamente o leitor lembrou de no máximo três. Mais um reflexo dos poderes da pirataria. No entanto, ainda há quem aposte neste meio. Há dois anos, Raphael Heiderich da Cunha e Ruben Lima dos Santos abriram, em Lumiar, um empreendimento que consideram ser uma opção para quem busca por discos de artistas alternativos. “A pirataria não nos preocupa porque nosso público-alvo é formado por pessoas que buscam álbuns que não se encontram no mercado pirata”, afirma Raphael.
Em relação ao download de músicas pela internet, ele tem uma opinião diferente, considerando esse mecanismo como um fator até mesmo positivo. “A música baixada de graça serve mais como uma porta para se conhecer um novo artista. Existe um grande número de pessoas que não gostam de produtos piratas ou do formato MP3 por sua má qualidade. Com isso, elas buscam, consequentemente, os produtos originais”, opina. A falta de concorrentes diretos na cidade é outro fator positivo para o comerciante. “Hoje, as lojas de departamentos se tornaram um dos únicos lugares, além da internet, para se comprar CDs”, diz.
Raphael revela ainda que além dos produtos vendidos, a loja possui outras atrações para atrair os clientes. “Os discos de vinil e filmes clássicos do cinema também são grandes atrativos, além da decoração que engloba todas as formas de arte e faz com que as pessoas ‘viagem’ nas imagens das paredes, quadros, livros, revistas e todo ambiente tranquilo que oferecemos”, finaliza.
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