Domingo é Dia Mundial da Fotografia

A arte que revolucionou a sociedade há dois séculos e continua em plena evolução
sexta-feira, 17 de agosto de 2018
por Ana Borges (ana.borges@avozdaserra.com.br)
Fernando Lo Bianco:
Fernando Lo Bianco: "Quero descobrir detalhes pouco visíveis, coisas que a maioria das pessoas não percebe” (Fotos: Arquivo AVS)

A fotografia é uma das invenções mais extraordinárias da história da humanidade e revolucionou a sociedade a partir de meados do século XIX. Assim como a cultura, a economia, as artes etc. A fotografia é expressão artística, informativa, explicativa. Serve para recordar, fazer flagrantes, denunciar. Profissionais ou amadores, nunca se fez tantas fotos como nos tempos atuais. E no Dia Mundial da Fotografia, não há de ser diferente. No Brasil, também celebramos o dia 8 de janeiro como o Dia Nacional da Fotografia, também conhecido como o “Dia do Fotógrafo”.

Para o profissional que trabalha seja para qual for o veículo, a foto contemporânea mostra infinitas possibilidades de explorar a imaginação e muito mais do que ser um expert em softwares de tratamento de imagem (de extrema relevância), “é preciso definir conceitos e trazer um pensamento mais subjetivo sobre o tema a ser registrado”.

Por exemplo, para fotografar um tema abstrato, como a alegria, o fotógrafo busca elementos para representar esse sentimento: uma pessoa feliz, um ambiente colorido... “É preciso usar algo palpável para passar as ideias, mas podemos dar o sentido que quisermos a essa matéria. Afinal, a fotografia é um recorte da realidade, não é a verdade absoluta do que foi capturado, temos a capacidade de direcionar o olhar, compor, enquadrar e clicar, deixando de fora o que não queremos mostrar, e ainda criar o clima perfeito com a finalização na pós-produção”, ensina Charly Techio, fotógrafa e artista visual, supervisora do curso de Fotografia do Centro Europeu (www.centroeuropeu.com.br), um dos mais tradicionais do país.

Em busca do invisível

O fotógrafo amador friburguense Fernando Lo Bianco, de pouco mais de 30 anos, começou a fotografar há cerca de oito anos, quando, por acaso descobriu essa disciplina no curso de designer gráfico que o irmão fazia. Começou fotografando com uma máquina que tinha em casa e depois foi adquirindo máquinas com mais recursos. Autodidata, Fernando só fotografa paisagens e vida selvagem. “Não tenho interesse em fotografar pessoas, locais públicos, urbanos. Gosto de focar a natureza, de ir para lugares afastados, outros municípios, inclusive. Quero descobrir detalhes pouco visíveis, coisas que a maioria das pessoas não percebe”, comentou Fernando.

Sendo uma pessoa de natureza quieta, reservada, introvertida mesmo, não sem certa hesitação ele acaba por falar de si mesmo, embora sem revelar mais do que considera suficiente: “Curto o silêncio para poder ouvir os sons das matas, das montanhas, dos pássaros. Geralmente saio sozinho, às vezes com hora certa, mas pode também ser a qualquer momento, quando não estou trabalhando. Mas sem planejar para onde vou e sem hora para voltar. Vou indo… Não sou do tipo contemplativo, que fica “horas” num mesmo lugar, esperando acontecer alguma coisa. Paro, olho, e se gostar de uma imagem, uma cena, um animal, fotografo. Sou rápido… (diz, rindo), embora observador e muito crítico. Saio de carro e muitas vezes vou parar em outras cidades, até em Macuco, eu já fui”, revela.  

No momento, Fernando participa da exposição coletiva “As Cores da Cidade”, em cartaz há quase dois meses, na sede da Fundação Dom João VI, na Praça Getúlio Vargas, que reúne 23 membros da Sociedade Fotográfica de Nova Friburgo. “Das exposições que participei, essa é a mais importante. A curadoria da Fundação e a organização da Érika (Castro, fotógrafa profissional) imprimiram novos ares a esse tipo de exposição, com instalações, atividades interativas com o público, palestras e oficinas”, elogia, lembrando que Friburgo, assim como em outras cidades, o interesse pela fotografia é crescente, e a evolução dos equipamentos e as novas tecnologias têm atraído muita gente.

“Tanto que, em menos de dois meses registramos a visita de mais de 8.500 pessoas, um recorde histórico para qualquer tipo de exposição em Friburgo. A variedade do que apresentamos aqui reforça a ideia do quanto ainda podemos crescer, atrair novos talentos para a Sociedade, que certamente estão por aí sem oportunidade para mostrar seus trabalhos, suas ideias, o quanto podem contribuir para revitalizar o nosso grupo. Penso que devemos abrir mais as portas, afinal trata-se de uma entidade com 70 anos de existência, uma das mais antigas do Brasil. Acho que precisamos injetar sangue novo nela”, defende.  

História

A data escolhida para a comemoração do Dia Internacional da Fotografia tem sua origem no ano de 1839, quando, em 7 de janeiro, na Academia de Ciências da França, foi anunciada a descoberta da daguerreotipia, um processo fotográfico desenvolvido por Joseph Nicèphore Niépce (1765-1833) e Louis Jacques Mandé Daguerre (1787-1851).

Dois anos antes, em 1837, Louis Daguerre já vinha trabalhando nesse processo, baseado nos estudos de Joseph Niépce, que havia criado a héliographie alguns anos antes. Em 1839 também foi inventado o calótipo, um outro sistema de captura de imagens, criado por William Fox Talbot. Por causa dessas incríveis invenções, 1839 se consagrou como o Ano da Invenção da Fotografia.

Cerca de sete meses depois, em 19 de agosto, durante um encontro realizado no Instituto da França, em Paris, com a presença de membros da Academia de Ciências e da Academia de Belas-Artes, o cientista François Arago, secretário da Academia de Ciências, explicou o processo e comunicou que o governo francês havia adquirido o invento, colocando-o em domínio público. Dessa forma, o “mundo inteiro” passou a ter acesso à invenção do primeiro equipamento fotográfico fabricado em escala comercial. Em troca, Louis Daguerre e o filho de Joseph Niépce, Isidore, passaram a receber uma pensão anual vitalícia do governo da França, de seis mil e quatro mil francos, respectivamente.

A velocidade com que a notícia do invento do daguerreótipo chegou ao Brasil é curiosa: cerca de 4 meses depois do anúncio da descoberta (janeiro), foi publicado no Jornal do Commercio, de 1º de maio de 1839, sob o título “Miscellanea”, um artigo sobre o assunto – apenas 10 dias após de ter sido assunto de uma carta do inventor norte-americano Samuel F. B. Morse (1791 – 1872), escrita em Paris, em 9 de março de 1839, para o editor do New York Observer, que a publicou em 20 de abril de 1839.

Toda essa história está em cartaz na exposição “As Cores da Cidade“. Em fim de temporada, o público tem apenas até o próximo dia 29 para apreciá-la. Não percam!

 

 

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