Domingo, Dia Nacional do Fusca, o queridinho dos brasileiros

sábado, 19 de janeiro de 2019
por Jornal A Voz da Serra
Domingo,  Dia Nacional do Fusca, o queridinho dos brasileiros

Você sabia que o Fusca tem data de aniversário no Brasil? Pois, tem. Neste domingo, 20, é o Dia Nacional do Fusca, o queridinho dos brasileiros. Foi em 1959 que ele passou a ser fabricado por aqui, com o objetivo de fomentar a indústria nacional e competir com os carros estrangeiros, em uma época dominada pelos automóveis americanos de grande porte, e os compactos também, como o Citroën 2CV, o Dauphine, um Austin etc.

Segundo a Volkswagen, o primeiro Fusca montado no Brasil foi lançado em 3 de janeiro de 1959. Dados da empresa apontam que logo no ano de lançamento foram vendidas quase 8.500 unidades e que rapidamente, ele “se tornaria um estrondoso sucesso de mercado”.

Até 1986, quando a produção foi encerrada, o Brasil havia produzido mais de três milhões de unidades desse lendário veículo. Em 1993, quando parecia não ter volta, o Fusca foi novamente inserido no mercado, pelo presidente Itamar Franco, que solicitou e a fábrica alemã instalada em São Bernardo (SP) aceitou e restaurou a linha de produção.

A paixão que perdura há 60 anos no Brasil

Em alemão, volkswagen significa carro do povo. E foi com essa intenção que em 1935 foi lançado oficialmente, na Alemanha, o Volkswagen Sedan, que anos mais tarde se popularizou no Brasil com o nome de Fusca. Criado na Alemanha nazista, a pedido de Adolf Hitler, que acreditava que era necessário fomentar o mercado com automóveis a preços acessíveis, o carro foi projetado pelo engenheiro automotivo Ferdinand Porsche.

Do seu primeiro projeto, com motor de dois cilindros, até a versão que começou a ser produzida em larga escala após a 2ª Guerra Mundial, o Fusca passou por muitas inovações. Sua criação com motor refrigerado a ar foi um projeto ousado do engenheiro, pois até então os carros da época eram feitos com motores refrigerados a água. A primeira versão do carro tinha ainda outro diferencial para a época: o câmbio seco com quatro marchas. Alguns Fuscas até foram produzidos para servir na guerra. Após o conflito, em 1945, a fábrica do veículo ficou em ruínas e o carro foi quase esquecido.

O projeto foi retomado pelo major inglês Ivan Hirst. A história registra que em 1946 a estimativa era de que haviam 10 mil fuscas em circulação. Em 1948, esse número mais que dobrou: 25 mil fuscas, com uma parcela destinada à exportação. Em 1949, o mercado dos Estados Unidos já estava aberto para o veículo.

Segundo a Volkswagen, o primeiro Fusca montado no Brasil foi lançado em 3 de janeiro de 1959. Os dados da empresa apontam que logo no ano de lançamento foram vendidas 8.406 unidades que, rapidamente, “se tornaria um estrondoso sucesso de mercado, em uma época dominada pelos automóveis importados de grande porte”. Ainda de acordo com a Volks, até 1986, quando a produção foi encerrada, o Brasil havia produzido 3,1 milhões de unidades do lendário Fusca.

Em 1993, quando parecia não ter volta, o Fusca foi novamente inserido no mercado. O presidente Itamar Franco solicitou e a empresa restaurou a linha produtiva.

O Fusca Itamar

Em 1992, o Brasil vivia uma época de recuperação política e econômica. Crítico mordaz dos veículos produzidos pela indústria nacional, o então presidente Fernando Collor, que se referia a eles como carroças, decidiu liberar as importações de carros. Com seu impeachment, em setembro daquele mesmo ano, o então vice-presidente Itamar Franco assumiu a presidência.

Itamar buscava algo que marcasse sua passagem pelo Planalto, o que encontrou no Salão do Automóvel de São Paulo, poucos dias após sua posse, em outubro de 92. Na mostra, Itamar ficou inconformado ao saber que o veículo mais barato em exposição custava o equivalente a US$ 23 mil. Nascia ali a ideia da marca do Governo Itamar Franco: um carro popular, que pudesse ser adquirido pela classe média, popular quanto o Fusca, que havia deixado de ser produzido no Brasil em 1986.

Na imprensa e na própria Volkswagen, poucos davam credibilidade à empreitada. Assim que a volta do Fusca foi anunciada, a mídia alfinetou, dizendo que o carro era ultrapassado, incompatível para aquele momento, em que o Brasil recebia os carros mais modernos do mundo, graças à liberação do Collor para importados. A matriz da Volkswagen, na Alemanha, também não viu com bons olhos e considerou a volta do Fusca apenas uma edição especial. A sede brasileira tratava o assunto como uma sugestão do presidente Itamar Franco. Que acabou por se concretizar no ano seguinte.

Em 23 de agosto de 1993, Itamar Franco reinaugurou a linha de montagem do Fusca na fábrica Anchieta da Volks (São Bernardo/SP). Na cerimônia, Itamar usou um Fusca conversível, feito especialmente para a ocasião. Ali eram então montados 100 Fuscas por dia. Mas, apesar do sucesso na estreia, meses depois o Fusca começou a encalhar nas concessionárias. Os consumidores estavam preferindo o Gol 1000 e Fiat Uno Mille.

Custando CR$ 700 mil, o Fusca era um dos carros mais baratos do mercado na época, vendendo cerca de 1,5 mil unidades em média por mês, no primeiro ano. E então, em junho de 1996, o Fusca saiu de linha no Brasil, de forma discreta, deixando a comemoração por conta apenas da série Ouro para as últimas 1,5 mil unidades fabricadas. Nos três anos de vida do Fusca Itamar, foram produzidas pouco mais de 46 mil unidades.

O Fusca usado por Itamar na reinauguração da linha de montagem do modelo foi comprado por ele na ocasião. Hoje, o Fusca conversível se encontra no memorial do ex-presidente, em Juiz de Fora, MG.

 

 

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