Henrique Amorim
Um estudante universitário de 22 anos por muito pouco não se acidentou há alguns meses numa curva sinuosa da RJ-130 (Nova Friburgo-Teresópolis), próximo ao distrito de Campo do Coelho. Ele conta que estava em velocidade compatível, mas se distraiu por utilizar o celular enquanto dirigia. "Era noite e passou um caminhão em sentido contrário, com os faróis altos. Eu estava lendo um torpedo e errei ao fazer a curva. Quase bati num barranco. O susto foi tão grande que desisti de ir a uma festa em São Lourenço. Pedi a um amigo que me acompanhava para me trazer de volta para casa. Não quis nem dirigir mais naquele dia”, lembra o rapaz, que revela ter deixado o hábito de lado desde então. Ele conta que desde que começou a dirigir, há cerca de cinco anos, tinha o hábito de usar o celular ao volante. "Estou sempre conectado e acostumado a fazer várias tarefas ao mesmo tempo. Faço tudo usando a internet, recebendo e enviando mensagem”, complementa o jovem.
Assim como ele, muitos outros motoristas em Nova Friburgo têm o mesmo costume, perigoso por si só. Tanto é que a Autarquia Municipal de Trânsito (Autran) intensificou a fiscalização a fim de inibir esse tipo de infração, que é considerada grave e rende multa de R$ 127,69 e a perda de cinco pontos na carteira de habilitação. Só entre janeiro e maio foram aplicadas 637 multas por uso de celular ao dirigir em Nova Friburgo. A maior incidência deste tipo infração foi verificada em março. No mesmo período de 2012, no entanto, a Autran aplicou 854 multas por conta da mesma infração. Para os agentes de trânsito, a redução este ano se deve a maior conscientização dos motoristas e a aprovação em janeiro pela Câmara dos Deputados da proposta que elevou o uso do celular ao volante de infração média para infração grave.
Autoridades em trânsito, contudo, afirmam que falar ao celular dirigindo pode sim ser tão perigoso quanto dirigir embriagado. O desvio de atenção ao entreter-se com alguma mensagem ou operar os aparelhos de telefonia móvel pode aumentar o risco de acidentes de trânsito em até 400%. "Para atender alguma chamada ou simplesmente acionar algum comando do aparelho de celular requer do motorista um desvio de atenção mínimo de três segundos, o suficiente para uma colisão ou a perda total do controle numa curva, por exemplo”, comenta um agente de trânsito da Autran. Ele sugere que os motoristas desliguem o celular sempre que estiverem dirigindo ou que outra pessoa no veículo atenda.
"Outro grande perigo ao volante é a utilização nos veículos de aparelhos com DVDs. Embora destinado ao entretenimento dos demais passageiros, o recurso inevitavelmente pode desviar a atenção dos motoristas para alguma imagem e causar um acidente”, comenta outro agente que acredita ser o uso de celulares uma a causa de várias colisões recentes nas vias do município.

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