Direito a ter direitos

sexta-feira, 17 de julho de 2015
por Jornal A Voz da Serra

AVANÇOS importantes no sentido de ampliar direitos e respeito à diversidade foram promovidos no Brasil, por deliberações institucionais pautadas pela sociedade. São ações afirmativas das liberdades, muitas das quais asseguradas por atos do Judiciário, dos governos e dos parlamentos. Tudo o que o país não pode, depois de vencer a resistência de costumes arraigados e aperfeiçoar leis e normas de convivência, é retroceder a conceitos há muito superados. Infelizmente é o que estamos vendo nas votações da Câmara dos Deputados.

VÊM GANHANDO espaço muitos movimentos de resistência a mudanças, não só nas redes sociais, mas também no Congresso, e se caracterizam, em muitos casos, como fenômeno exacerbado de radicalismos. A intolerância é, em circunstâncias variadas, a marca de muitas dessas manifestações.

TEM SIDO assim na discriminação de pessoas por seus credos religiosos, na agressão a gays em lugares públicos, na negação do direito à homoafetividade e até na depreciação de imigrantes, além de outros preconceitos. Em todos os casos, o que se condena não é a crítica ou a livre manifestação de contrariedade com o comportamento alheio. 

POR CONVICÇÕES pessoais, ninguém é obrigado a exaltar o que considera inaceitável e tampouco deve ser punido, por antecipação, por ideias e opiniões. Isso não significa a aceitação de ataques agressivos a direitos individuais. Nesse ambiente de relações tensionadas, é exemplo paradoxal o caso de pessoas que investem contra credos alheios e, ao mesmo tempo, exigem respeito às próprias convicções.

 O PAÍS DEVE se submeter ao direito de ter e ao direito de não ter fé. Também é incoerente a ação de grupos que, em nome de certezas políticas, ignoram prerrogativas de adversários transformados em inimigos, num progressivo exercício de absolutismo, como se observa atualmente na Câmara dos Deputados. O Brasil terá de reaprender a conviver com as diferenças e as discordâncias, para que a liberdade de expressão seja exercida no limite da civilidade. 

 

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