Difícil equação

terça-feira, 10 de novembro de 2015
por Jornal A Voz da Serra

A PRESIDENTE Dilma Rousseff deu o tom, na visita que fez a Nova Friburgo, ontem, de que continuará avançando na gestão das políticas públicas ao prestigiar a entrega de mais 300 apartamentos do programa Minha Casa Minha Vida no bairro Terra Nova. Além da habitação — proposta de governo desde o tempo do ex-presidente Lula — outros programas precisam também avançar. E um dos principais é o que diz respeito à saúde da população.

A AMPLIAÇÃO dos serviços do SUS, como ela quer, ainda não tem efeitos em toda a rede pública hospitalar, da qual Nova Friburgo é parte integrante. A expectativa nacional pela melhoria do serviço médico prestado      na rede pública foi um dos apelos eleitorais que mais pesou na hora de reelegê-la. O caos na saúde verificado no cotidiano de todas as cidades brasileiras mostra que o clamor social, infelizmente, ainda não está com os seus dias contados.

OS MUNICÍPIOS fora da Região Metropolitana do Rio, como Friburgo, sentem a falta de um serviço mais ampliado. Não é difícil constatarmos filas à porta do Raul Sertã com pacientes em busca de uma marcação de consulta para o próximo ano. Acabar com este quadro de vergonha nacional é, pois, um desafio que não se impõe somente ao gestor em Brasília. Também requer o empenho estadual e, na ponta do atendimento, o governo municipal, que, efetivamente, cuida da população.

É SABIDA a carência de recursos humanos e técnicos do Hospital Raul Sertã para dar atendimento digno a uma população que não restringe a Friburgo. Centro de referência médica na região, o município ainda sente falta de serviços que levem em conta a regionalização da saúde com a melhoria da qualidade de vida de habitantes de mais de 10 municípios.

O MINISTRO da Saúde, Marcelo Castro, admite restrição orçamentária em sua pasta e atraso no repasse de recursos para hospitais e programas como o Farmácia Popular ainda este ano. O déficit previsto para a saúde em 2016 deverá ser de ao menos R$ 7,5 bilhões. Para ele, “o que está ruim vai piorar”, e somente a nova CPMF compartilhada entre União, estados e municípios poderá cobrir o déficit.

COMO VEMOS, a situação vai exigir uma ampla negociação política no Congresso para a solução deste problema. O governo torce para que surja o entendimento e a compreensão do grave momento nacional. E para o cidadão comum se beneficiar da saúde como determina a Constituição também deverá fazer a sua parte, contribuindo ainda mais com aumento da sua já sobrecarregada carga tributária.

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