A Academia Friburguense de Letras (AFL) desenvolve um programa denominado Conversas na Academia, tendo à frente o acadêmico, professor e escritor Robério Canto. No último sábado, 26, foi convidado para participar o desembargador do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro, Cármine Antonio Savino Filho, que proferiu palestra com o tema Vida e Poesia de Cecília Meireles. Cármine foi saudado pelo acadêmico Paulo Jordão Bastos.
O palestrante é natural de Três Rios, viveu em Juiz de Fora e passou nove anos em Nova Friburgo, onde lecionou português e literatura no antigo Colégio Nova Friburgo, da Fundação Getúlio Vargas, ocasião em que se tornou um dos acadêmicos da AFL, entidade que pôde rever, juntamente com alguns de seus amigos da época, o que o deixou emocionado. Cármine aproveitou a oportunidade para lançar o último de seus 40 livros, Palavras e Sentidos.
Cármine, apesar de ter galgado a função de desembargador, não abandonou a poesia, “um dom ou uma necessidade de salvar a mim mesmo”. Em sua juventude em Juiz de Fora manteve contato com amigos ligados à poesia como Affonso Romano de Sant’Ana, Nilo Batista, Fernando Gabeira, Drummond de Andrade, Guimarães Rosa, entre outros mineiros escritores. E ele acabou pegando o gosto de escrever, chegando a ter algumas de suas obras premiadas, como em 2002, o Prêmio Drummond de Andrade de Poesia, em Itabira, com o livro que lançava em Nova Friburgo, Palavras e Sentidos. Devido aos problemas com as edições de seus livros, Cármine anunciou ser esta a sua última obra editada.
NOVA FRIBURGO - Após estudar direito em Juiz de Fora, Cármine tomou conhecimento pelo jornal Correio da Manhã que havia uma vaga para professor da Fundação Getúlio Vargas. Mesmo sem conhecer o colégio e Nova Friburgo, candidatou-se a preencher a vaga deixada pelo professor Jamil El-Jaick, que foi para o Ministério da Educação. Fez a prova e foi aprovado, tendo lecionado língua portuguesa e literatura brasileira.
Em Nova Friburgo, Cármine estudou letras no Colégio Anchieta e cursou pedagogia na Santa Doroteia. Permaneceu na cidade por quase dez anos e tinha uma convivência muito grande com o juiz Rivaldo Pereira dos Santos, que o incentivou a fazer concurso para juiz, tendo sido aprovado, ajudado por ser professor de português e ter um bom texto, detalhes importantes num concurso. Seguiu posteriormente para a cidade do Rio de Janeiro, onde permanece até hoje.
Retornou a Nova Friburgo no sábado, 26, inclusive para abordar Cecília Meireles, sobre a qual tem um livro publicado – Cecília Meireles – vida e poesia. Havia estado no desfile da Fundação Getúlio Vargas no dia 7 de setembro, participando da confraternização dos ex-alunos e professores. E voltar à AFL o emocionou, pois participou do início de suas atividades, da elaboração de seu estatuto e de muitos encontros animados, um período que julga muito interessante em sua vida. “Retornar é uma experiência renovada e maravilhosa”, finalizou.

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