Descarte inconveniente

quarta-feira, 09 de novembro de 2016
por Jornal A Voz da Serra

DENTRE AS DIVERSAS ATENÇÕES que o prefeito eleito Renato Bravo terá de se dedicar a partir de 1º de janeiro de 2017 está a questão ambiental do município. E, dentre tantos assuntos da área, a reciclagem dos resíduos sólidos ganha destaque especial.  A lei 12.305, de 2 de agosto de 2010, que instituiu a Política Nacional de Resíduos Sólidos, ainda está engatinhando para sair, efetivamente, do papel, de forma que o que deveria ser uma responsabilidade compartilhada pela sociedade acabou ficando apenas na promessa.

POUCOS SÃO OS MUNICÍPIOS E ESTADOS que tiraram, efetivamente, a lei do papel e as iniciativas que tornam real a reciclagem dos resíduos não recebem do poder público a atenção e o apoio que deveriam receber. A realidade nacional está anos luz distante da legislação, a ponto de, atualmente, cada brasileiro produzir, em média, 1,1 quilo de lixo por dia e todo esse resíduo não receber destinação adequada. Em todo o Brasil são coletadas diariamente mais de 200 mil toneladas de resíduos sólidos e 50,8% dos municípios não dão destino adequado ao lixo, com todo esse volume sendo despejado em lixões em mais da metade dos municípios espalhados pelo país.

A PESQUISA NACIONAL de Saneamento Básico do Instituto Brasileiro de Estatística (IBGE) revela que apenas 27,7% das cidades recolhem o lixo em aterros sanitários. Ou seja, a política é falha e não consegue fazer com que prefeituras e governos estaduais se adequem para tratar melhor o meio ambiente.

PORÉM, DA INTENÇÃO DA LEI ao que vem sendo praticado pelos cidadãos, o descarte do lixo não obedece as regras e é um salve-se quem puder na hora de se desfazer desse  material. Com frequência A VOZ DA SERRA vem denunciando descartes ilegais sem cumprir as orientações da coleta seletiva, a população ignora o uso adequado das caixas coletoras e estas viram um depósito comum, com todos os tipos de lixo, quando não são descartados nas ruas.

OS AVANÇOS DA POLÍTICA AMBIENTAL brasileira beneficiam de fato Nova Friburgo, incentivando a um maior cuidado com o rico patrimônio natural que o município possui. O cuidado com o lixo é uma extensão da preocupação da sociedade com a melhoria da qualidade de vida, com a alarmante situação ambiental em todo o planeta e com a preocupação de deixar um mundo melhor para os nossos sucessores.

O LIXO RECICLADO em Nova Friburgo ainda responde por uma parcela pequena e distante das atitudes ecologicamente corretas sonhadas por todos. Por questões diversas, da falta de interesse individual à coleta seletiva por todos os bairros, o município ainda não se adequou à nova prática. Para uma cidade com fortes vocações turísticas e ecológicas, tal atitude ampliaria ainda mais a imagem de Friburgo por sua qualidade de vida.

A PARTIR DA EDUCAÇÃO AMBIENTAL, pode-se colaborar bastante para esta tomada de consciência. Porém, cabe aos governantes a tarefa de liderar esta mudança, oferecendo alternativas que beneficiem a população, ao tempo em que cria mecanismos mais eficientes de proteção ambiental. Mais que um compromisso com o meio ambiente, é um desafio que o futuro governo não poderá descuidar. 

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