Defesa Civil trabalha para atender a mais de seis mil pedidos de vistorias

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011
por Jornal A Voz da Serra

Bruno Pedretti

A tragédia que aconteceu em Nova Friburgo trouxe inúmeras preocupações à população friburguense. O 6º Grupamento de Bombeiro Militar ainda busca corpos desaparecidos desde o dia 12 de janeiro e a Defesa Civil trabalha incessantemente para atender a todas as 6.767 vistorias solicitadas até o momento.

O coordenador da Defesa Civil, Roberto Robadey, explica que o fato de muitas pedras terem rolado com as chuvas de janeiro fez com que o órgão passasse a trabalhar com um nível de alerta mais baixo do que o comum. “Estamos trabalhando com o alerta de 40mm hoje, antes era de 80mm. E qualquer ameaça de chuvas fortes vamos emitir um alerta à população, através dos órgãos de imprensa, principalmente pelos rádios”, esclarece. “Esses morros que deslizaram tinham uma cobertura vegetal que se perdeu, então, a encosta está completamente descoberta e não vai precisar mais de 80mm para provocar um desastre semelhante ao que ocorreu”, afirma.

Um boato deu conta de que haveria uma forte chuva no dia 18 de fevereiro, o que deixou os friburguenses preocupados. “Imagino de onde partiu esse boato. Existe um site americano, que vem em celulares, que estava marcando mais de 1.000mm para Nova Friburgo no dia 18, mas já observei que isso acontece muito com esse site, que normalmente dá a medida não em milímetros, mas em polegadas, e em algum momento o sistema de conversão dele falha, altera o valor e dá um número absurdo”, explica o coordenador da Defesa Civil.

Roberto Robadey garante que é importante que a população tenha percepção de risco, mas não pânico. “Existem riscos em muitos locais da cidade, as pessoas devem prestar sempre atenção aos alertas da Defesa Civil e ter sempre em mente para onde ir quando houver uma chuva mais forte. A população precisa praticar o que nós chamamos de autodefesa e saber reconhecer o risco”, frisa.

Quanto às montanhas da cidade, com profundas cicatrizes que se formaram nas encostas pela ação da água, de acordo com Roberto Robadey não há nenhum registro de fendas. “Há um problema na Rua Cristina Ziede, onde existe uma vala que dividia propriedades, feita pela ação do homem, e que contribuiu bastante para o problema no local. Estamos buscando uma solução para que o problema não se agrave”, diz.

A Defesa Civil está percorrendo todas as áreas com equipes reforçadas. “Trabalhadores da GeoRio contribuem nos serviços e também da Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais. Eles vão ficar até o dia 4 de abril em Nova Friburgo realizando o mapeamento de risco remanescente”, destaca Robadey.

Antes de acontecer a tragédia, o coordenador da Defesa Civil havia solicitado novos equipamentos para o órgão, mas não foi atendido. De acordo com Roberto Robadey, após o desastre a Defesa Civil está preparada para atender a cidade. “Recebemos cinco caminhonetes do Estado (a Defesa Civil de Nova Friburgo tinha somente dois carros - um era emprestado pelo Estado e o outro está enguiçado), além de mais duas caminhonetes de uma empresa do interior de São Paulo, que gentilmente colocou os veículos com motorista à nossa disposição, por conta da catástrofe”, relata.

O que vêm atrapalhando o serviço da Defesa Civil são registros feitos mais de uma vez. “Estamos com mais de seis mil pedidos de vistorias e, infelizmente, algumas pessoas registraram mais de uma vez o pedido, o que dificulta o nosso trabalho. Pedimos que a população que registrou que aguarde, pois vamos visitar assim que possível”, garante Roberto Robadey.

Temporal na noite de terça deixou população temerosa

Os friburguenses ficaram assustados na noite de terça-feira, 22, quando uma forte chuva desabou na cidade. Apesar do temporal, não houve nenhum registro grave na Defesa Civil, que monitorou as áreas mais afetadas pela tragédia de janeiro, que matou 427 pessoas em Nova Friburgo. De acordo com a Somar Meteorologia, choveu na terça-feira 30mm, embora o esperado para todo o dia fosse apenas 5mm. O coordenador da Defesa Civil no município, coronel Roberto Robadey, afirmou que emitirá alertas através dos órgãos de imprensa caso haja previsão de chuvas acima de 40mm nos próximos dias. Vale ressaltar que desde o dia 16 de janeiro não chovia forte em Nova Friburgo.

O trauma da catástrofe de janeiro ainda está sendo superado pela maioria da população de Nova Friburgo, o que fez com que a chuva forte de terça-feira gerasse momentos de muita tensão. Muitos não conseguiram dormir, passando a madrugada vigiando o leito dos rios e encostas, temendo novas enchentes e deslizamentos. Em alguns bairros, rios e córregos, ainda bastante assoreados desde as chuvas de janeiro, quase transbordaram, levando pânico aos moradores. “Acordei assustada com o barulho dos trovões. Pensei que ia viver todo aquele pesadelo novamente. Quando vi que o córrego nos fundos da minha casa estava quase transbordando, acordei meu filho e pegamos tijolos no quintal para levantar a geladeira, a máquina de lavar e alguns móveis, a fim de tentar nos livrar de uma nova enchente. Graças a Deus não foi preciso. Mas, toda vez que chove ficamos apreensivos”, relatou na manhã de ontem, 23, uma moradora do bairro Chácara do Paraíso.

No interior do Estado, o município de Cambuci foi o que registrou maior volume de chuvas na terça-feira, com 53mm. Segundo os bombeiros, não houve registro de chamadas na noite de 22 de fevereiro.

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