Das palavras às atitudes: o planeta e a analogia da pizza

A coluna da gestora ambiental Renata de Rivera
terça-feira, 03 de outubro de 2017
por Renata de Rivera
Das palavras às atitudes: o planeta e a analogia da pizza

“Sonho com o dia em que encontraremos o equilíbrio entre o ser e o ter, o receber e o servir, o desfrutar e o preservar. Sonho com o dia em que viveremos em total harmonia com a mãe terra, por tudo que ela nos provê. Sonho com um mundo de paz, de amor, respeito e de igualdade...” Essas e outras palavras proferidas emocionadamente pela modelo Gisele Bündchen, no tão falado Rock in Rio, me trouxeram uma reflexão para além das palavras, ou seja, como podemos sair de um discurso onírico para uma realidade concreta?

Vamos fazer uma reflexão? Imaginemos que temos uma pizza para dividir entre sete bilhões de pessoas, a pergunta é; de que tamanho deveria ser essa pizza de forma que fosse capaz de abastecer cada pessoa com um pedaço generoso a ponto de saciar completamente o desejo de cada um? Ok, seguindo a lógica do discurso da supermodelo, se sonhamos com a igualdade devemos pensar que o que importa é que cada pessoa possa se alimentar generosamente, e que cada pedaço será igualmente proporcional para todos. Dessa forma não poderia haver aquele que come além da quantidade que lhe é proposta, tendo em vista que se alguém extrapolar sua parte poderá estar negando a um outro alguém a parte que lhe é devida. Onde quero chegar com essa simples analogia? A pizza é o nosso planeta que creio, é muito capaz de saciar abundantemente cada ser humano, porém o que muda nessa questão é o apetite.

O estômago tem um limite, mas onde está o limite da ganância humana? Gisele Bündchen tem um patrimônio líquido estimado em US$ 290 milhões, se formos falar em igualdade baseado em seu próprio discurso, quantos planetas seriam necessários para solucionar essa conta? Imagine que a porção devida a cada ser humano tenha como referência a autora desse emocionante discurso? Afinal, se vamos falar em igualdade que seja para cima, porque igualar por baixo é mediocridade.

Vamos esquecer as palavras e pensar na realidade. O planeta tal como o conhecemos hoje não suportaria sete bilhões de pessoas com fortuna material de uma robustez como a supra citada. A lógica é simples, nosso planeta é finito, a extração de seus recursos é demasiado dispendiosa, a mão de obra mesmo que evoluísse aos níveis mais tecnológicos possíveis jamais seria capaz de possibilitar essa grande façanha. Então o que podemos dizer? Vamos ser realistas, esquecer esse discurso demagógico e falacioso da igualdade e pensar que somos diferentes e não há nada de errado com isso, aliás, ainda bem que somos diferentes pois a beleza está na diversidade. Costumo pensar que palavras são apenas palavras se não forem de alguma forma transformadas em atitudes, ou seja, até mesmo um papagaio é capaz de sonorizá-las. Temos que ser mais racionais a ponto de perceber as incoerências produzidas por essa cultura que não enxerga o prejuízo produzido pelo nosso egoísmo insano.

Enfim, podemos e devemos viver confortavelmente, pois o nosso planeta é capaz de suprir a dignidade de cada ser humano que nesse momento habita sobre a terra, porém devemos ter a nítida consciência que não podemos extrapolar o limite dessa própria capacidade. Afinal só temos um planeta e é com ele que devemos nos resolver. Tudo que não vier assentado nessa lógica não passa de um erro grotesco de quem não sabe fazer uma simples conta matemática básica.

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