Cruzeiro no Brasil

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010
por Jornal A Voz da Serra

Max Wolosker

Sábado 17 de janeiro entramos no MSC Lírica e fizemos um cruzeiro de seis dias, no percurso Rio, Salvador, Maceió, Ilhéus e retorno ao Rio. Foi nossa primeira aventura marítima em mares tupiniquins e vai aqui a impressão que ele nos causou.

O porto do Rio de Janeiro apesar das reformas por que passou continua cheio de problemas, o mais grave é o acesso dos passageiros à sala de embarque muito estreito e que não dá vazão aos que chegam para o check-in. No dia de nossa partida, quatro navios estavam ancorados, com saída prevista para as cinco horas da tarde, o que tornou a circulação dos passageiros muito difícil. Além disso, a poluição da baía de Guanabara, ainda é um desafio para todos, povo e autoridades, e causa uma péssima impressão aos muitos estrangeiros que transitam por ali.

Por outro lado, a cidade vista do mar é ainda mais maravilhosa do que cantam os versos, e o morro Cara de Cão, cartão postal de quem chega ou sai do Rio de navio, uma amostra do que espera o turista, em matéria de beleza natural.

A viagem até Salvador foi muito tranquila, porém é incrível a irresponsabilidade e o desrespeito às regras do brasileiro. Existem vários avisos proibindo a entrada de alimentos na área da piscina, no entanto, o que mais se vê são pessoas comendo aí. Numa conversa com o comandante do navio, Antonio Siviero, ele comentou que volta e meia a companhia recebe multa da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), quando seus agentes ao subirem a bordo para vistoriarem o navio, surpreendem algum passageiro com pratos de pizza ou sanduíches, nesse local.

Outro problema se refere aos mergulhos nas piscinas. Por mais espaçosas que elas sejam, seu tamanho é pequeno para o número de pessoas que as frequentam. Um navio como o nosso tem capacidade para cerca de 2800 passageiros e nos dias de navegação, quando todo mundo permanece a bordo, é lá que as pessoas passam a maior parte do tempo. Pois apesar de ser proibido, o que mais se vê são adultos e crianças a ameaçar a todos com seus mergulhos inconsequentes.

Paramos em Maceió uma cidade muito bonita e acolhedora, com praias lindas e ótimas para passeios de jangada, mas infelizmente, o mau tempo frustrou a todos. O vento forte, os raios e o mar agitado ao colocarem a vida das pessoas em risco impediram essa atividade. Restaram apenas as compras na feira de artesanato e um city-tour pela capital das Alagoas.

Saímos quinta à tarde com destino a Ilhéus, terra onde viveu Jorge Amado. Na realidade nosso grande escritor nasceu em Itabuna, mas foi em Ilhéus que passou a maior parte de sua vida e escreveu seus romances mais conhecidos, como Gabriela Cravo e Canela e Tieta do Agreste. Cidade próxima a Salvador tem praias muito bonitas, como a dos Milionários e um centro histórico em que se destacam o bar do Seu Nacif, de Gabriela, cujo nome real é Bar Vesúvio e o Bataclã, famoso bordel da década de vinte, comandado pela cafetina Maria Machadão. Esse bordel era frequentado pelos coronéis da cidade, no auge do ciclo do cacau. Hoje é um museu.

Nossa viagem terminou no sábado pela manhã, após seis dias no mar, com a sensação de que valeu a pena.

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