Vinicius Gastin
Rodrigo Lima vive a rotina de transformar ideias em tatuagens. O talento do friburguense foi reconhecido e premiado nos últimos dias 4, 5 e 6, na Convenção Internacional Tattoo Week realizada no Pier Mauá, Rio de Janeiro. O tatuador destacou-se entre 200 artistas de todos os cantos do mundo ao concorrer em cinco categorias. Catuaba, como é conhecido, foi premiado como a melhor tatuagem colorida sobre temas diversos e melhor tatuagem de temas brasileiros, focando a cultura do país. A primeira foi feita nas pernas da cliente Eliane Soares e a segunda desenhada nas de Magno Mendes.
“Eu tenho participado de algumas convenções em nível nacional nos últimos anos e, numa delas, fui convidado a participar desta, de caráter internacional, pelo organizador. Estou muito feliz por ter vencido. Ganhei alguns prêmios no país e este é o primeiro internacional”, contou.
Durante o evento, cada artista convidado expôs suas obras em estandes. Catuaba trabalhou durante as semanas de Natal e Ano-Novo para apresentar os desenhos e quadros. “A gente trabalha como artista geral. Lá nós fazemos tatuagens, mostramos nosso material e trocamos desenhos e ideias com outras pessoas. Isso é importante para divulgarmos o trabalho”, destacou.
Geralmente, Catuaba cria as tatuagens a partir da ideia do cliente, como aconteceu com as duas premiadas. O artista percebeu que elas se enquadravam dentro das regras da competição e convidou Eliane e Magno para participarem do evento. “Eu criei o desenho. No caso do Magno, por exemplo, foi ele quem veio com a ideia do desenho de um índio e eu desenvolvi”, contou.
Talento descoberto a partir de um acidente
A relação de Rodrigo com a arte começou literalmente por acidente. Aos 12 anos de idade, o então menino caiu de um prédio onde brincava e em sua recuperação passou quatro meses em repouso. Neste período descobriu o talento para desenhar. “Eu não tinha nada para fazer, então comecei a desenhar. Antes disso eu nunca tinha desenhado, não tinha paciência. A partir daí, peguei o gosto e fui desenvolvendo.”
Catuaba trabalhou com aerografia, serviços de pintura, quadros e há sete passou a tatuar, atraído por um mercado cada vez mais aquecido. As tatuagens de diversos estilos e tamanhos nas mais variadas partes do corpo tornaram-se comuns. As máquinas utilizadas já são fabricadas no Brasil e auxiliam as biqueiras e agulhas descartáveis. A união de estrutura e talento faz nascer a tatuagem, desenvolvida a partir da sensibilidade e criatividade do tatuador. A tinta seca e gruda como se fosse um pó, sem marcar a pele: a agulha faz o furo e o organismo absorve a pigmentação entre as células. O tempo de confecção varia de acordo com o desenho. “Às vezes eu faço uma grande por dia, que demora de seis a sete horas. Há dias em que chego a fazer oito tatuagens pequenas, de meia hora cada.”
O desenho de Eliane, premiado como a melhor tatuagem colorida, foi feito há alguns meses e levou seis sessões de três horas, cada, para ficar pronta. A de Magno foi finalizada recentemente, duas semanas antes da competição. “Eu faço um pouco e espero cicatrizar para ver se está ficando bom, pois pode ocorrer uma falha ou outra.” Mesmo os desenhos sem cores podem levar um longo tempo para serem feitas. “O trabalho e o jeito de pigmentar são os mesmos, só muda a técnica. Temos que conhecer as variações de tons do cinza para evitar uma tatuagem com marca de agulha.”
Nesses anos de carreira, Catuaba perdeu a conta de quantas tatuagens criou, mas consegue eleger as mais estranhas. “Geralmente quando o pessoal faz o rosto do namorado ou da namorada e depois quer esconder, nós usamos qualquer desenho. Uma vez, fiz uma caveira para tapar o rosto de uma ex-mulher”. Ao ser perguntado se o processo é dolorido ou não, o artista foi sincero: “Dependendo do local, dói um pouco sim. A costela e o pé, por exemplo, são locais mais sensíveis. Mas no geral é mais a ansiedade. O cliente chega nervoso na primeira vez por achar que vai doer. Se a pessoa estiver relaxada, ela pode fazer sessões de cinco ou seis horas, tranquilamente.”
Em seu estúdio, na Rua Vicente Sobrinho 189, em Olaria, Catuaba guarda com carinho os prêmios e os desenhos das tatuagens criadas. A cada pedido surge um novo desafio. Apesar de atender ao desejo de seus clientes, o tatuador não esconde a preferência pelo realismo. “Gosto muito de seguir esse estilo. Tudo o que é ligado a isso, como a foto de um leão, uma águia, um rosto, uma criança, me atraem. Tento fazer o trabalho parecer o mais real possível, como se fosse uma fotografia”, revelou.
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