Texto: Felipe Basilio / Fotos: Lúcio Cesar Pereira
Um bairro cheio de contrastes, tanto de imagens como em aspectos funcionais. Assim pode se definir o Cordoeira. Antes foco de problemas envolvendo a segurança pública, hoje a localidade vive momentos de paz, mas sofre com a falta de itens básicos, como asfaltamento e melhoria na qualidade e limpeza das ruas. São muitas as dificuldades enfrentadas pelos moradores. No entanto, quem vive no local elogia a bela visão da cidade e a rapidez com que se chega ao Centro. A equipe de A VOZ DA SERRA foi até o bairro, constatou a satisfação e ouviu as reivindicações dos moradores.
Cenário + proximidade do Centro = pontos positivos
O cenário que os moradores desfrutam do Cordoeira é um espetáculo à parte. No simples ato de abrir uma janela, o morador se depara com a imagem da Pedra do Imperador, do Caledônia, das Catarinas, do Morro da Cruz, das Duas Pedras. Uma vista que inspira quem vive ou passa pelo bairro. Outro ponto valorizado pelos moradores é a proximidade do centro da cidade. Em apenas cinco minutos é possível estar na Avenida Alberto Braune, o principal setor comercial do município. A funcionária pública Maria do Carmo Alves cresceu no Cordoeira e valoriza essas qualidades. "Eu cresci aqui, são quase 50 anos vivendo no Cordoeira. Lembro-me desse bairro quando não existiam tantas casas, era tudo mato. Mas não tem nada igual acordar e ter essa vista, poder sair de casa e, rapidamente, chegar ao Centro, ter tudo à mão”, destacou.
Quanto aos horários dos ônibus que ligam o bairro à rodoviária de integração, novamente os moradores se encontram satisfeitos. São pelo menos três horários por hora — dois ônibus convencionais passando pela Vila Dom Bosco e um microônibus pela Emilia Falchetto.

Comerciante Eliane Araújo testemunha os problemas relatados por outros moradores
Danilo Pinheiro é vitima da má conservação das ruas e já teve prejuízos
Ônibus passa pela estreita Rua Emilia Falchetto: dificuldade que atinge também o transporte coletivo
Buracos e irregularidades
Transitar pelas ruas do Cordoeira se tornou um verdadeiro desafio. Tanto para pedestres como para motoristas, os problemas são muitos. Logo na Rua Prefeito Amâncio Azevedo, uma das mais íngremes e estreitas do bairro, a pavimentação é péssima. O asfalto desgastado pode se transformar em um perigo para quem anda a pé. Em dias chuvosos, a combinação entre água e piso escorregadio se torna certeza de quedas. Para passar com os carros, os motoristas têm desafio semelhante. Além da dificuldade na subida, é preciso desviar dos buracos. Sem ter para onde ir, o jeito é passar bem devagar e superar os obstáculos. Eliane Araújo é comerciante e convive diariamente com os problemas das ruas. Ela espera que uma atenção maior do poder público possa fazer com que as reivindicações dos moradores sejam atendidas. "São muitas dificuldades. Só de olhar dá pra perceber. Por sorte não há acidentes, já que existem muitos buracos, a rua é estreita. Todas as ruas estão mal cuidadas. O poder público precisa olhar mais para nós aqui. Fomos esquecidos”, lamenta.
Na Rua Emilia Falchetto, a situação não é diferente. A via não é asfaltada e a buraqueira está em toda a parte. Carros danificados e reparos caros. Essa é a realidade de quem tem um automóvel e precisa passar pela pista. Até o ônibus sofre com as dificuldades de locomoção. Danilo Pinheiro, 23 anos, é nascido e criado no bairro, e sabe de cor as reivindicações. Ele já teve grandes prejuízos por conta das irregularidades. "São muitos buracos, está difícil mesmo. Eu acabei de trocar a balança do meu carro e a suspensão está totalmente comprometida. Já gastei mais de R$ 500 consertando o carro por causa de buracos”, avaliou.
A Secretaria de Comunicação Social da Prefeitura informou que devido às festividades do feriado de aniversário do município (16 de maio) será promovido um mutirão na área central, beneficiando o Cordoeira com obras daqui a dez dias.

Bela visão da cidade: privilégio para quem mora no Cordoeira
Capina, lixo e entulho: problemas de saúde pública
Há quem diga que apenas o serviço de coleta de lixo seja suficiente para manter uma rua limpa. No entanto, na Emilia Falchetto não é o que se vê. Entulhos são jogados em terrenos vazios e o lixo toma conta de valas, principalmente em uma escada que dá acesso à Rua Prefeito Amâncio Azevedo. A má conservação causa a proliferação de ratos e insetos, colocando em risco a saúde das crianças que, diariamente, brincam no espaço público.
Nas escadas que dão acesso às ruas Elisa Ventura e Teófilo Marra, o problema é outro: a falta de capina. O mato cresce gradativamente, e esconde perigos, como cobras, que moradores já relataram ter visto no matagal. Os bueiros também são alvo de reclamação. Nossa equipe encontrou vários destruídos ou entupidos, fazendo com que o escoamento da água, em dias de chuva, não seja realizado da maneira correta.
O Colégio Municipal Padre Rafael, a creche municipal e a Unidade Básica de Saúde Ariosto Bento de Mello, que recebem pessoas até de outras localidades, são fatores positivos do bairro.

Irregularidades na Emília Falchetto dificultam o trânsito dos motoristas
O asfalto desgastado é mais um dos problemas enfrentados por quem passa pela Rua Prefeito Amâncio Azevedo

Bueiros mal conservados e falta do serviço de capina

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