Contraponto: a mãe que não quis saber o sexo do bebê

"Muitas pessoas achavam estranho não saber, como se fosse alguma coisa de outro mundo", conta Padu
sábado, 19 de agosto de 2017
por Karine Knust
Padu e Rudá (Álbum de família)
Padu e Rudá (Álbum de família)

Como é o rostinho? Será que tem os olhos do papai, a boca da mamãe? E os pés, as mãos… Quantos centímetros têm? Será que tem o peso que parecia ter na ultrassonografia? O momento do parto reserva muitas e incríveis descobertas. E se antigamente era preciso esperar até o dia do nascimento ou fazer simpatias para tentar descobrir se o bebê era ele ou ela, hoje os pais têm a ajuda da tecnologia e se agarram a ela para conhecer o máximo que podem sobre seus filhos antes deles virem ao mundo. É ultrassonografia em quatro dimensões, teste de sexagem fetal...

Por outro lado, em tempos em que nem o famoso chocolate Kinder Ovo faz surpresa - já que a partir de 2013 a marca determinou linhas específicas para meninos e meninas - é raro, mas ainda existe quem deixe para o parto a descoberta do sexo do bebê. A artista e escritora Paula de Souza Durso, a Padu, de 26 anos, por exemplo.

Quando descobriu que estava grávida, em 2015, a única certeza de Padu era a de que não queria saber o sexo do seu bebê até que ele viesse ao mundo. “Eu e meu companheiro acreditamos que não sabendo o sexo do bebê, evitaríamos que todo um universo restritivo se precipitasse através de presentes e lembrancinhas. Infelizmente, vivemos em um mundo que padrões de gênero são impostos sobre todos, principalmente sobre a criança. Antes mesmo de nascer, a sociedade já impõe pra criança o que ela pode usar, vestir, ser a partir do seu sexo. Rosa e bonecas para meninas, azul e carros para meninos. Isso pode gerar uma série de padrões e preconceitos violentos que vão se acumulando durante a vida”, acredita ela.

Com um lindo bebê na barriga, é normal que os pais tenham que lidar com os palpites e intermináveis perguntas de familiares, amigos e curiosos. Quanto a isso, Padu afirma ter conseguido tirar de letra. “Não saber o sexo foi só mais uma das muitas perguntas que nos faziam toda hora, mas que aprendemos a lidar. Muitas pessoas achavam estranho não saber, como se fosse alguma coisa de outro mundo, mas sempre respondíamos com naturalidade e logo o assunto mudava”.

Para montar o enxoval do bebê Durso... liberdade. “Não restringimos nada e recebemos coisas lindas e surpreendentes. Presentes e doações das cores mais variadas possíveis. Quando perguntavam qual era o sexo pra escolher a cor do presente, apenas falávamos ‘não se preocupe, quanto mais colorido, melhor!’”. Quanto ao nome, ela afirma: “Tínhamos várias opções para menino ou menina, mas só decidimos o nome no dia seguinte do nascimento, depois de olhar bem o rostinho dele, com calma”.

Foram 41 semanas e meia de espera até o pequeno Rudá Durso Orban chegar ao mundo. Ele nasceu no dia 6 de fevereiro de 2016, na Maternidade de Nova Friburgo. “Meu parto teve que ser cesariana, apesar de ter planejado tudo para ser o mais natural possível. Assim que nasceu, levaram-no para os procedimentos e perguntei para a enfermeira, mas ninguém havia nem percebido ainda. Ela voltou para vê-lo e me contar. Quando disse que era menino, foi surpreendente. Mesmo achando antes que era uma menina, meu coração se encheu de um sentimento de aceitação enorme. Só conseguia dizer ‘Graças a Deus!’ e chorar. É um sentimento inexplicável, de aceitar um presente enorme e surpreendente”.

Hoje, com um ano e seis meses, Rudá se prepara junto com os pais Padu e João para embarcar numa grande e inesquecível aventura, um projeto artístico, documental e itinerante em família, inspirado no nascimento do pequeno. Serão 180 dias em uma Kombi pelo Brasil, começando no final deste ano. “Foi preciso nosso filho nascer para entendermos que ainda há tempo de sair em busca do sentido da vida”.

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