Após toda a polêmica criada em Nova Friburgo com a divulgação semana passada de um relatório de vistoria do Instituto Estadual do Ambiente (Inea) dando conta da possibilidade de novos deslizamentos no morro do teleférico com as chuvas do próximo verão, inclusive com possibilidade de um grande deslizamento, capaz de atingir os imóveis da Rua General Osório e até mesmo obstruir o Rio Bengalas, o Departamento de Recursos Minerais (DRM), ligado ao Serviço de Geologia do Estado, elaborou relatório técnico daquela encosta a partir de sobrevoo realizado na última quinta-feira, 25.
No documento não é denominada a tal “fenda” no cume da montanha, entre o Suspiro e o Colégio Anchieta, motivo de grande apreensão entre os moradores da Rua General Osório, mas no relatório chama-se a atenção para “duas grandes cicatrizes de escorregamentos” denominadas pelo DRM como “línguas” do Suspiro e do Colégio Anchieta. “São processos individuais que exibem riscos individuais e exigem soluções também individuais, mas há outros taludes que precisam ser estabilizados”, enfatiza o geólogo que assina o documento, Cláudio Amaral.
O relatório destaca ainda que possíveis novos deslizamentos, mesmo com pequenos volumes de chuva, “podem ampliar as consequências na parte baixa da encosta”, mas ações pontuais de contenção já foram iniciadas pelo estado e o município. O documento, contudo, cita um talude vertical de dois metros de espessura com chance de sofrer uma nova ruptura. O geólogo alerta que caso haja rompimento desse talude durante um forte temporal “haverá corrida de massa com potencial destruidor ampliado. Desta forma, a possível trajetória de um novo acidente será muito similar à registrada em janeiro”, atesta ele.
No documento recomenda-se também a manutenção da interdição das áreas de risco até a conclusão das obras de estabilização—“de caráter urgente e imediatamente necessárias”—, que exigem projetos específicos de contenção voltados para um tipo de escorregamento classificado como “corrida de massa”. O relatório concluiu ainda que a construção de um platô na parte alta da encosta do Suspiro, com corte e falta de obras de drenagem “funcionou como um agente preparatório e efetivo da corrida ao longo da língua do Anchieta”. Um desses movimentos de massa, entretanto, foi a reativação de um deslizamento já ocorrido nas chuvas de 2007.
O QUE É O DRM-RJ
(SECOM) É uma autarquia criada pelo governo estadual em 1975. Em 1999 passou a ser vinculado à Secretaria de Estado de Energia, da Indústria Naval e do Petróleo (Seinpe), o que veio trazer-lhe a reintegração à sua tradição de agência fomentadora do desenvolvimento da atividade mineral ambientalmente sustentável, além de novas atribuições na área do petróleo. Faz parte de uma secretaria criada para orientar, fomentar e viabilizar o desenvolvimento de setores básicos da economia fluminense.
A estrutura organizacional do DRM-RJ, após passar por amplo processo de discussão interna e nos diversos níveis do governo, veio substituir ao anterior, de 1994, adequando-o às novas atribuições adquiridas ao longo do tempo e modernizando seu organograma. A diretoria de mineração (DMIN) passou a incorporar as atribuições da área de fiscalização e desenvolvimento, aperfeiçoando a atuação do DRM-RJ como agência estadual de mineração, e a diretoria de geologia (DGEO) passou a tratar das questões de geologia básica, hidrologia e projetos de meio ambiente, fazendo com que atue como serviço geológico estadual.
A nova estrutura está organizada em oito coordenadorias, que refletem as novas atribuições da instituição, incluindo a hidrologia, dada a atribuição de controlar a utilização das águas subterrâneas no estado; e economia mineral e do petróleo, que incorpora o setor petróleo na estrutura da organização e geoinformação, que introduz os conceitos mais atuais de geração de informações georreferenciadas.

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