Como será o governo do prefeito eleito de Nova Friburgo

O resumo das ideias defendidas pelo candidato Renato Bravo na sabatina de A VOZ DA SERRA
segunda-feira, 03 de outubro de 2016
por Ana Borges
(Foto: Henrique Pinheiro)
(Foto: Henrique Pinheiro)

Durante o mês de setembro, todos os candidatos a prefeito de Nova Friburgo participaram da série ‘Sabatina’, promovida e publicada diariamente por A VOZ DA SERRA, na qual foram abordadas 19 questões. Começou com o tema Orçamento e Crise, passou por saúde, educação, ambiente, mobilidade, cultura, turismo, relações institucionais, agricultura, participação popular, prevenção a desastres naturais, entre outras, e terminou com o tema Equipe de Governo.   

Engenheiro civil e ex-vereador, o prefeito eleito Renato Bravo pautou sua campanha na defesa do diálogo, “para o fortalecimento das ideias e do processo democrático”, conforme reiterou em palestra realizada na Acianf (Associação Comercial, Industrial e Agrícola de Nova Friburgo), dia 19. Ao longo da campanha, reduzida a 45 dias, Bravo e o vice Marcelo Braune se dedicaram à divulgação de seu programa de governo, em todas as mídias, sempre citando o momento pelo qual passa o país, “com o desgaste da democracia, as crises financeira e política, e o estado de espírito da população”. Nesta retrospectiva, resumimos suas respostas para cada uma das questões.

Orçamento e crise: “O caminho da gestão moderna é criar um ambiente de negócios que possa atrair empresas e investimentos para a cidade, de modo que à municipalidade seja possível trilhar pelo caminho da autossuficiência econômica e, consequentemente, diminuir a dependência de verbas estaduais e federais.”
 
Saúde: “Na Saúde não falta dinheiro, falta gestão. Acabar com a Fundação Municipal de Saúde foi uma atitude equivocada e a primeira medida será a retomada da administração indireta da Saúde. Precisamos conjugar quatro verbos fundamentais: descentralizar, informatizar, racionalizar e modernizar.”

Educação: “Ensino de qualidade e educação em tempo integral serão prioridades em meu governo. A escola integral é uma tendência mundial, que possibilitará estabelecermos as políticas públicas necessárias para a governança da educação. Não haverá interferência na carga horária dos professores, pois para o horário estendido serão contratados profissionais especializados nas áreas de artes, esportes, ciências e demais atividades complementares.”

Funcionalismo público: “No atual cenário econômico e político do país, o gestor responsável deve ter como uma de suas diretrizes o enxugamento da máquina pública, através da redução de secretarias e cargos de confiança, muitos deles desnecessários ao andamento dos serviços municipais. O caminho natural é valorizar e motivar os servidores públicos, através de uma política de revisão do Plano de Cargos, Carreiras e Salários.”

Posturas: “Manter a ordem urbana com a precaríssima estrutura do setor de Posturas municipal é uma tarefa não só inglória, como praticamente impossível. Portanto, imprescindível que a Posturas, hoje subordinada à Secretaria de Ordem e Mobilidade Urbana, possa contar de imediato com o mínimo de servidores e condições de trabalho. A nosso ver, é mais coerente que o setor de Posturas esteja vinculado à Secretaria de Meio Ambiente.”

Mobilidade Urbana: “Ruas estreitas, crescente número de veículos, etc, a problemática do trânsito decorre da inexistência de planejamento. Não há nenhuma iniciativa importante dos últimos governos para fazer frente às demandas criadas a partir do novo cenário da mobilidade urbana. Feito o diagnóstico de mobilidade urbana por quem realmente entenda do assunto, promoveremos o planejamento estratégico do tráfego local e reordenaremos os fluxos viários do eixo central da cidade, além de Conselheiro Paulino e Olaria.”

Cultura: “Reconhecer e socializar a contribuição da trajetória histórica e cultural são medidas decisivas para o fortalecimento da identidade de Friburgo rumo aos próximos 200 anos. Defendo uma visão integrada da produção cultural, que ressalte e estimule o viés local, suas características e peculiaridades em todos os segmentos culturais. Desta forma, incluo a preservação do patrimônio arquitetônico e ambiental, que ajudam a contar a nossa história.”

Meio ambiente: “A questão ambiental em Friburgo é seríssima. O município revela atualmente uma preocupante situação hídrica. Nascentes importantes já secaram, de Macaé de Cima a Lumiar, do Caledônia a Conselheiro Paulino. Necessário planejamento e ações efetivas, como o reflorestamento e a recuperação das matas ciliares.” 

Turismo: “O turismo é um ativo de fundamental apelo para o desenvolvimento sustentável do município devido à sua transversalidade, pois atua junto aos mais diversos segmentos, como meio ambiente, educação e cultura, gastronomia, esportes e outros. Pretendo fazer um planejado uso da força econômica do turismo para fortalecer nossos setores produtivos, como o comércio, a indústria e serviços diversos.”

Bicentenário: “Estamos prestes a celebrar uma data significativa em pouco menos de dois anos. Coincidentemente, quando assumirmos o governo municipal, em 1° de janeiro de 2017, estarão faltando exatos 500 dias para os dois séculos da fundação de Friburgo. Muito mais do que festejar um feito histórico importante, representa um momento único, que deverá ser um tempo de reflexão sobre o futuro que teremos a caminhar pelos próximos anos.” 

Acessibilidade: “Pretendemos investir no desenvolvimento inclusivo e sustentável também no transporte, ampliando o acesso para quem usa cadeira de rodas. As medidas se traduzem em piso especial para pedestres, junto aos semáforos e sinalização adequada; ampliação do número de rampas nos prédios públicos e todas as ruas do eixo central da cidade; e incremento dos sistemas de tecnologia da informação.”

Relações institucionais: “ A atual conjuntura econômica dos governos estadual e federal desafia os próximos prefeitos a transformarem-se em agentes políticos proativos, com perfil criativo e empreendedor. Não há mais como se pensar em um governo engessado e dependente de entes maiores. A meta de um gestor passa pela administração do município com ajuste nos gastos públicos, integração crescente com o Legislativo, parcerias efetivas com a iniciativa privada e interlocução permanente com a população.” 

Transparência: “A prestação de contas necessita de transparência. A implantação de programas para explicar à população o que se tem feito e o que deve ser feito é importante para que o cidadão conheça a competência municipal. Destaco dois pontos de alta relevância, além do fortalecimento dos conselhos setoriais: a informatização de todo o sistema e a descentralização do poder.”

Assistência social: “A realocação de moradores de rua nos centros urbanos é uma questão complexa, à qual não fugiremos, mas que envolve interesses públicos e privados, haja vista as questões pertinentes à segurança, especulação imobiliária e expansão da cidade, entre outras.”

Agricultura: “Friburgo apresenta um cenário otimista e promissor pelo significativo papel na produção alimentar e pela diversidade de insumos produzidos, sediando o mercado produtor/Ceasa, maior distribuidor da Região Serrana. É necessária uma parceria mais efetiva com os produtores agrícolas, a fim de encontrarmos soluções possíveis que contribuam com esta importante atividade para o nosso desenvolvimento econômico.”

Grandes projetos: “Criaremos um gabinete de projetos para viabilizar ações — propostas por qualquer cidadão e que tenham como objetivo o bem comum, através de verbas federais e parcerias público-privadas. Todas as propostas serão consideradas, cientes de que algumas poderão exigir elevado volume de recursos e especialização, mas haverá também aquelas que são o resultado de boas ideias, criatividade e vontade política, e são estas, especialmente, que pretendemos priorizar e viabilizar para melhorar a vida dos friburguenses.”

Participação popular: “A elaboração de nosso plano de governo envolveu significativo número de pessoas, da interlocução com diversos grupos e lideranças comunitárias de Friburgo, empresários e profissionais liberais, especialistas em áreas variadas das políticas públicas. A base de nossas propostas é a base para a construção coletiva do município.”

Prevenção de desastres: “Reduzir a vulnerabilidade de Friburgo às chuvas fortes, para evitar que tragédias como a de 2011 não se repitam, será prioridade em nosso governo, que não se limita aos quatro anos da gestão, sendo necessária a continuidade de um trabalho de fato comprometido em relação aos impactos ambientais.”

Equipe de governo: “Não tenho quaisquer compromissos políticos que me obriguem a indicações desnecessárias. Minha intenção é reduzir os cargos comissionados, trocando a quantidade absurda desse tipo de nomeação, pela qualidade indispensável ao bom funcionamento da máquina administrativa. Pelo menos metade dos cargos comissionados será ocupada obrigatoriamente por servidores concursados. Tenho em mente, ao proceder desta forma, o controle de despesas primárias e financeiras.”

 

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