Como se comportam os jovens brasileiros

sexta-feira, 19 de outubro de 2012
por Jornal A Voz da Serra

Alessandro Lo-Bianco / @AlessandrLB

Uma pesquisa que acaba de ser apresentada para esclarecer às empresas e instituições sociais como se comportam atualmente os jovens brasileiros. Segundo Marcos Calliari, autor do estudo e proprietário da agência Namosca, especializada no universo jovem, o resultado mais significativo a que se chegou foi a existência de uma necessidade imperativa de que a sociedade se adapte aos novos tempos, já que dogmas, imposições e autoridade não funcionam com a geração Y e certamente não servirão para as próximas. “Não adianta dizer que os jovens são imediatistas, infiéis, instáveis e descompromissados. O desafio—e isso vale para todos os setores, seja econômico, educacional, político, corporativo, familiar ou até religioso—é criar atrativos para mantê-los interessados”, afirma.
A pesquisa foi realizada em 2011 com 784 universitários de sete cidades (São Paulo, Campinas, Ribeirão Preto, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Curitiba e Salvador) e revelou dados extremamente interessantes. Em comparação com outra pesquisa da Namosca feita em 2009, a idade média dos universitários saltou de 21,5 para 23 anos. O perfil sociodemográfico também mudou: enquanto em 2009 a maioria era da classe B, agora metade representa a C. Além disso, aumentou consideravelmente o percentual de estudantes que pagam suas faculdades. Ainda sobre o cenário acadêmico, a oferta de cursos de interesse e uma melhor preparação para o mercado são os fatores mais determinantes na escolha de uma faculdade/universidade e os jovens parecem saber o que querem. A maioria diz que teve total liberdade para escolher a carreira, considera o ingresso na vida universitária uma grande conquista e pretende continuar estudando após se formar.
Porém, surpreendentemente, a evasão é grande, talvez em função de crenças como “pretendo ter um dia meu próprio negócio” e “ter sucesso na vida só depende de mim”. “Outra boa explicação pode ser a seguinte: como um jovem que passa boa parte de seu dia totalmente conectado e domina as tecnologias mais avançadas pode se interessar em aprender diante de um quadro-negro?”, questiona o empresário.
No quesito profissional, considerando a média de todas as cidades, 63% dos jovens estagiam—de forma remunerada ou não—ou já foram efetivados. Os de Salvador e Curitiba são os que mais se destacam: respectivamente 73% e 72%. Entre os que apenas estudam estão os mineiros, com 58%, e os cariocas, com 43%. Outro dado curioso é que seis em cada 10 entram no mercado de trabalho já no primeiro ano do ensino superior.
A religiosidade também passou por transformações. Enquanto em 2009 apenas 35% eram católicos, 16% evangélicos e 29% acreditavam em Deus mas não seguiam uma religião específica, agora são 44%, 18% e 14%, respectivamente.
O mito de que a diversão é prioridade para os jovens veio por terra. Só 6% a citaram como algo extremamente importante, enquanto 62% colocaram a família em primeiro lugar e 50% os estudos. Os que mais gastam com lazer semanalmente são homens maiores de 24 anos das capitais paulista e mineira.
O gosto musical é cada vez mais eclético. Exalta Samba, Legião Urbana, U2, Ivete Sangalo, Coldplay, Jota Quest, Paula Fernandes, Titãs, Djavan, Restart, Pitty, Metallica, Pink Floyd, Lady Gaga e até Roberto Carlos estiveram entre os grupos/cantores mais citados. Ou seja, há espaço para todos os estilos, de sertanejo e pagode até MPB e rock progressivo. As celebridades mais admiradas pelos jovens são, nesta ordem, Cesar Cielo, Wagner Moura, Luciano Huck, Selton Melo, Ronaldo Fenômeno, Bernardinho, Roberto Justus, Lula, Gisele Bündchen e Giba. Todas ficaram com mais de 30% dos votos. Já entre as que mais os entendem ficaram Serginho Groisman, com 34% das citações, Marcos Mion (26%) e Rodrigo Faro (21%). Grazi Massafera, Juliana Paes, Paula Fernandes e Maria Gadu são as que eles mais gostariam de conhecer, todas também com mais de 30% dos votos. Tirando Lula e Dilma, nenhum outro político foi citado pelos jovens. Aliás, 57% dos membros da geração Y sentem falta de algum que lute por seus interesses e 69% estão insatisfeitos com a política brasileira. Só 24% gostariam de se envolver mais com ela.
Por fim, o poder de consumo. Consultados sobre o que já possuem, 98% dos entrevistados responderam celular, 97% pares de tênis e calças jeans, 93% contas de e-mails, 92% perfis em redes sociais, 77% contas-correntes, 71% computadores de mesa, 65% cartões de crédito e 58% mp3 players ou iPods. Quanto aos itens que pretendem adquirir em curto prazo, no topo da lista, com 28%, estão laptops e calças jeans, e com 25% dos votos estão celulares e pares de tênis. No lado mais fraco das preferências ficaram as bicicletas: só 6% dos jovens sonham em comprar uma.
Marcos Calliari vê um cenário positivo diante dos resultados que obteve com a pesquisa. “O desafio para o futuro é aprender a engajar e comprometer os jovens e não apenas criticá-los, o que só aumenta o abismo geracional. Porém, com a chegada dos jovens dessa geração a posições de decisão nas instituições, é inevitável que elas mudem para sempre”, conclui.

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