Como está a ergonomia do seu corpo?

Dores musculoesqueléticas (DME) podem provocar alterações no sono, fadiga e intolerância a exercícios físicos
sexta-feira, 13 de janeiro de 2012
por Jornal A Voz da Serra

Por Alessandro Lo-Bianco

Um dos tipos de dor mais prevalentes na população mundial é a muscular. Alterações nos hábitos de vida, tais como o uso abusivo do computador, a permanência excessiva no trânsito, o estresse e o sedentarismo têm contribuído para o aumento dos casos. Dados da Organização Mundial de Saúde revelam que 80% da população mundial sofre, pelo menos uma vez na vida, de dor nas costas, sendo os problemas posturais uma das causas mais comuns.

Andar, sentar, dirigir ou usar o computador com a postura incorreta pode resultar em doenças como a Síndrome Dolorosa Miofascial (SDM), um tipo de dor musculoesquelética (DME), que pode ser aguda (não frequente) ou crônica. Pessoas afetadas pelo problema podem ter alterações no sono, fadiga e intolerância a exercícios físicos.

As DME podem ser ocasionadas por traumas, processos inflamatórios, lesões por esforço excessivo, sobrecargas mecânicas, lesões traumáticas não tratadas adequadamente, entre outros. Mas a principal causa está relacionada aos vícios de postura. De acordo com o médico fisiatra, Patrick Stump, do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), as atitudes escolióticas (desvio da coluna para um dos lados), a lordose lombar (“bumbum empinado”) e a cifose (encolhimento dos ombros) são os mais comuns.

“Para quem trabalha sentado o dia todo, por exemplo, uma dica para evitar o problema é levantar e alongar os músculos com intervalos de 40 a 60 minutos”, recomenda. O fisiatra ressalta ainda que fatores como o excesso de peso e a altura do indivíduo podem agravar o quadro.

Tratamento

Algumas medidas simples contribuem para reduzir o estresse físico das estruturas corporais sobrecarregadas, como por exemplo, adequar a postura quando se está em frente ao computador ou ao dirigir. Além disso, é importante dormir em local confortável, para evitar danos na coluna durante o sono.

Quando o problema já está diagnosticado, uma alternativa de tratamento é a prática de RPG, pilates, rolfing, ioga entre outras. Além disso, a inativação dos pontos gatilho (pontos de dor), o alongamento e o fortalecimento muscular também contribuem na eficácia do tratamento.

Ainda para obter melhores resultados durante o tratamento, o ideal é não sentir dor. Por isso, recomenda-se o uso de anti-inflamatórios não esteroidais, como o ibuprofeno em cápsulas líquidas, que apresenta boa eficácia nas dores agudas relacionadas a processos inflamatórios decorrentes de traumas ou esforços.

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O fisioterapeuta Maciel Fernandes explica que os problemas ergonômicos provocam um efeito cascata interferindo na qualidade do sono e, com isso, provocando aumento da fadiga e intolerância ao exercício. Por isso, é essencial avaliar se os hábitos funcionais estão inadequados sejam eles profissionais, esportivos ou de vida diária. Abaixo, o fisioterapeuta dá dicas de como manter a ergonomia e o bem-estar do corpo.

1. Exercícios terapêuticos: precisam ser individualizados para serem efetivos. As atividades exigem uma série de cuidados para serem exercidas com segurança e este princípio deve nortear todas as orientações para prevenção e tratamento da dor. Se um indivíduo usar o corpo de forma inadequada repetidamente e por longos períodos poderá desenvolver dor crônica. Os exercícios terapêuticos têm como objetivo reeducar os gestos e os hábitos funcionais.

2. Alongamento individualizado: programa único indicado por um profissional qualificado, que deve ser realizado a qualquer hora do dia, respeitando as necessidades individuais, não devendo, portanto, ser indicado de forma generalizada.

3. Postura em frente ao computador: sentar apoiado sobre os ísquios (osso que constitui a zona inferior do quadril); manter as curvaturas normais da coluna vertebral, sem deslocar a pelve (bacia) para trás ou para frente; manter os antebraços apoiados na cadeira, formando um ângulo de 90° com o cotovelo e deixar os braços paralelos com o tronco; evitar cruzar as pernas; apoiar os pés no chão ou no aparador; manter o centro da tela do computador a uma altura em que a cabeça não precise inclinar; para digitar textos é preciso colocá-los ao lado da tela do computador e na mesma altura; ao usar laptops adaptar o mouse e o teclado externos e elevá-lo a uma altura que a cervical não incline.

4. Dirigir: sentar apoiado sobre os ísquios (osso que constitui a zona inferior do quadril); manter as curvaturas normais da coluna vertebral, sem deslocar a pelve (bacia) para trás ou para frente, o assento deve estar elevado nos carros que tenham este recurso; o encosto deve estar a 90º em relação ao assento; os braços devem, na grande parte do tempo, ficar segurando o volante com as palmas das mãos viradas para cima (este posicionamento evita a elevação dos ombros).

5. Dormir: de lado com os braços e as pernas paralelos; usar travesseiro com 1,60 cm de comprimento por 0,50 cm de largura entre os braços e pernas para evitar o desconforto e auxiliar na permanência adequada da postura; o travesseiro de apoio para cabeça deve ser de espuma, látex ou viscoelástico com altura que se encaixe perfeitamente no vão entre o pescoço e o ombro; o colchão deve ter a capacidade de absorver pesos corporais diferentes e se moldar adequadamente a forma do corpo evitando pressões e desconforto que leva a mudanças constantes de posição durante o sono.

6. Sapatos: flexíveis, que promovam absorção de impacto, ventilação, que não estejam apertados ou com folga e que não tenham saltos são os mais indicados para auxiliar na manutenção de uma boa postura durante caminhadas. “Os sapatos que não respeitem estas regras básicas não são indicados para serem usados por longos períodos ou para caminhadas devido à necessidade de grande adaptação do equilíbrio”, explica o fisioterapeuta.

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