Dalva Ventura
Nos Estados Unidos não é nenhuma novidade. Os “personal organizers”, como são chamados, já conquistaram o mercado americano e a profissão já é, inclusive, reconhecida. São requisitados por donas de casa, executivos e profissionais liberais sem tempo para organizar seus armários, closets, documentos e papeladas em geral, home offices, livros, CDs, DVDs, estantes e, é claro, fotografias.
Aqui no Brasil as pessoas cada vez se valem mais deste serviço, já que não dão conta de colocar em ordem seus guardados. Aproveitando este filão, que promete se ampliar cada vez mais, a friburguense Flavia Ventura tratou de se preparar para organizar a vida de quem a contrata. Fez três cursos de organização residencial e assim que começou a oferecer seus préstimos, surgiu a primeira cliente. Colocou em ordem caixas e caixas de fotos da família que estavam totalmente misturadas, na maior bagunça, para ela dar de presente para a mãe.
Como Flavia conseguiu operar este milagre? “É trabalhoso, mas é também muito bom, muito gostoso”, diz. No começo, a ajuda do cliente é fundamental, mas ela logo assume sozinha o desafio de destrinchar aquilo tudo. Primeiro, é preciso organizar as fotografias em ordem cronológica. E quando elas não estão identificadas nem o cliente sabe dizer quando foram tiradas? “A gente descobre observando as roupas das pessoas, os locais e outros detalhes”, afirma.
Além de organizar as fotos da família e colocá-las nos álbuns escolhidos pelo cliente, ela também coloca em ordem as fotos digitais arquivadas no computador muitas vezes sem nenhuma identificação.
Flavia Ventura também organiza a papelada das pessoas, que muitas vezes se encontra em total desordem. Ela cataloga, nomeia e coloca tudo em pastas. “Tem documentos que realmente não precisamos guardar, mas se a pessoa não quiser descartar é só deixar num arquivo morto”, diz. Durante a arrumação muita gente se surpreende com o que encontra no meio da bagunça. Impressionante como vamos acumulando papéis ao longo da vida.
O acúmulo de papel, aliás, é um problema para muita gente. Em muitas residências, armários e prateleiras estão entulhados de recortes de jornais e papéis de todo tipo na maior desordem. Tem gente que vai enfiando no armário até propaganda de supermercado. E para que serve toda esta papelada? Guardados assim, para nada, não é mesmo? Se, porém, estes papéis estiverem catalogados direitinho, você vai poder olhar, pesquisar e encontrar o que quer, com a maior facilidade. Basta arrumar para deixar tudo bem à vista.
Flavia está organizando agora a papelada de seu pai, Teleco Ventura, que guarda, há anos, recortes de jornais com matérias interessantes ou sobre seu trabalho como músico. O próprio Teleco tem se surpreendido com o que Flavia tem encontrado entre seus guardados. “Impressionante”, ela diz. “A gente já jogou muita coisa fora, pois não tinha a menor importância para ele”, afirma. Em tempo: Flavia não descarta nada, mas nada mesmo, sem o aval, por escrito, do cliente.
Ela faz questão de destacar que seu serviço não é uma faxina nem uma simples arrumação. “O que eu proponho é organizar, catalogar, deixar tudo em ordem, pronto para ser encontrado com facilidade, de acordo com certas regras e princípios”, explica. “É um trabalho demorado, delicado, especializado e de muita responsabilidade, pois você entra na intimidade do cliente”, continua.
Livros, CDs e DVDs separados por categorias
O ideal, diz Flavia, é que os livros sejam colocados nas prateleiras depois de separados por categorias. No entanto, se o cliente tiver muitos livros, pode ser o caso de arrumá-los por tamanho, etiquetando com número. Neste caso, o cliente recebe uma relação para poder localizá-los com mais facilidade. Se o livro estiver em más condições, o ideal é mandar encadernar, explica, mas se não estiver muito detonado, ela mesma pode dar um jeitinho. “Às vezes basta encapar com um plástico transparente”, diz.
Já os CDs e DVDs ela organiza de acordo com a categoria, como nas lojas e, dentro destes estilos, colocá-los em ordem alfabética.
Armários e closets: difícil é descartar o que não usamos mais
Também não é fácil colocar em ordem armários e closets, sobretudo no caso de quem tem muitas roupas, sapatos e não gosta de se desfazer de nada. Por isso mesmo, o desafio maior é descartar as peças que as pessoas guardam por guardar, mas nunca usam.
“Para muita gente, isso é extremamente difícil. Só depois de algum tempo é que se dão conta de que aquelas peças não fizeram falta alguma”, afirma. Todos temos algumas peças que nos acompanham anos a fio e que, mesmo sem uso, podem voltar a ser usadas ou, simplesmente, gostamos de ter no armário. “Estas ficam lá, bonitinhas, junto com as demais”, afirma Flavia. Mas são exceções. A maioria a gente pode dar, sem problemas.
Depois disso é só separar as peças por cor ou por modelo. Assim, além de bonito, fica muito mais fácil localizar o que vestir.
SERVIÇO: Contatos com Flavia Ventura pelo telefone (22) 2522-2175.
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