Cidadãos não aprovam torcedor “patrulheiro”

terça-feira, 16 de agosto de 2011
por Jornal A Voz da Serra

José Duarte

O episódio com o atacante Fred, do Fluminense, reacendeu uma polêmica sobre o poder da torcida brasileira. Até onde o torcedor pode ser invasivo com seu ídolo? Com que direito um torcedor fica vigiando, patrulhando, fiscalizando e tentando controlar a vida de um jogador?

A cena de torcedores do Fluminense perseguindo Fred gerou diversos aborrecimentos para o atleta e prejuízos para o tricolor das Laranjeiras, com derrotas infantis e, inclusive, a ameaça do jogador em deixar o clube. Isto não é uma novidade no Brasil, pois já aconteceu antes com outros jogadores, como Alex (Palmeiras), Vagner Love (Palmeiras), Adriano (Flamengo), Loco Abreu (Botafogo), Ronaldo Nazário (Corinthians), Romário (Fluminense) e Diguinho (Fluminense), entre outros.

A CBF não se manifesta, os clubes, por outro lado, se calam, permitindo este tipo de abuso. Enquanto isso, os jogadores estão cada vez mais acuados, preocupados com sua integridade física e ameaçados, porque em algumas vezes familiares também são vítimas da pressão psicológica, como aconteceu com Robinho, no Santos, quando toda sua família recebeu telefones anônimos, e-mails, cartas e foi até seguida nas ruas de Santos. A VOZ DA SERRA foi às ruas ouvir populares sobre o assunto: afinal, o torcedor tem direito de controlar a vida dos jogadores fora do campo?

“Não. Ele tem que vigiar no clube, o profissionalismo do atleta dele em campo. Desde que o jogador cumpra com suas funções de funcionário do clube, a torcida não tem mais nenhuma responsabilidade, a não ser torcer, incentivar.”

Roberto Lima Jatobá, 54 anos, instrutor de educação física, Centro

“Não. O jogador é profissional do clube. O clube, sim, pode fazer todas as exigências possíveis e imagináveis. O jogador é responsável por seus atos e tem compromisso com o clube. A torcida não é polícia e não pode ter esse poder de vigilância.”

Gabriel Domingos, 73 anos, radialista, Vila Amélia

“Não, porque o jogador tem livre arbítrio, como o torcedor também. No campo é uma coisa, profissional do clube, fora do campo é ser humano. Na vida particular, somos todos iguais.”

Elcio Robalinho, 74 anos, aposentado, Cônego

“Não, porque a pessoa tem que ter livre arbítrio e saber a hora certa de fazer tudo na vida. O jogador tem que ter consciência do que faz, mas hoje existe uma valorização muito grande do atleta profissional, financeiramente, e isso confunde o torcedor, que se acha no direito de tomar certas atitudes não compatíveis com sua função.”

Fernando Luiz A. Nader,

49 anos, comerciante, Centro

“A privacidade de cada um tem de ser preservada, jogador e torcedor. Da mesma que o torcedor pode ter sua vida particular, o jogador também. Existe o direito de ir e vir.”

Fábia Cristina Sanches,

39 anos, balconista, Centro

“Não me ligo muito em futebol, torço sempre para o Flamengo, mas é o tipo da coisa que não deve acontecer. A vida particular de cada um é assunto pessoal. O jogador é um trabalhador como os outros e após seu compromisso profissional ele tem o direito de fazer o que quiser da vida, desde que obedecidas regras normais.”

Vera Mesquita, 64 anos, professora, Centro

“De jeito nenhum. O que eles fazem fora de campo diz respeito somente a eles. Lugar de torcedor é na arquibancada, torcendo, incentivando, e não fazendo funções de polícia. O torcedor paga ingresso, mas não pode exorbitar.”

Karime Leão, 40 anos, jornalista, Cônego

“O jogador depende do torcedor. É o torcedor que paga ingresso, compra os produtos que eles usam, camisa, bola, etc. Já que o torcedor prestigia, o torcedor pode exigir, se bem que na vida particular é assunto muito pessoal de cada um.”

Aruzia Jatobá Pinto, 61 anos, vendedora – Bela Vista

“A privacidade de cada ser humano é segredo particular de cada um. Depois do expediente de trabalho ninguém tem obrigação de cuidar da vida alheia. Aliás, o torcedor não pode sair por aí correndo atrás de jogador, querendo persegui-lo.”

Gabriel Aslyn, 18 anos, estudante, Centro

“O torcedor tem que aplaudir, vaiar, incentivar, mas na arquibancada. É lá que é o lugar dele, para isso ele paga ingresso. A vida particular de cada um, depois do horário de trabalho, não interessa a ninguém. O clube é que tem a função de fiscalizar, cobrar, exigir rendimento.”

Landri Schettini, 52 anos, radialista, Centro

“Não se deve envolver vida particular com vida profissional. Porque que estes mesmos torcedores não cobram dos políticos o desemprego, a fome, violência, salários, etc.? O clube tem que exigir rendimento e o torcedor tem que ir para a arquibancada e torcer, para isso ele paga ingresso, não para achar que tem superpoderes sobre as pessoas.”

Sérgio Marrafa,

51 anos, coronel bombeiro militar, Centro.

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