Henrique Amorim
“Uma chuva abençoada!” A exclamação é dos bombeiros que, assim como grande parte da população friburguense, comemoraram ontem, 3, a chegada de uma frente fria ao Sudeste do país, trazendo chuva fina para o Estado. A mudança brusca no clima pelo menos minimizou a estiagem de mais de 40 dias e a série de queimadas por todo o município. A garoa que persistiu durante parte da madrugada e do dia de ontem ajudou a conter as chamas que arderam durante todo o fim de semana no Parque Estadual dos Três Picos e destruíram uma área equivalente a mais de 30 campos de futebol. O combate ao incêndio que teria sido iniciado num sítio no município vizinho de Teresópolis deu bastante trabalho ao Corpo de Bombeiros, que precisou de reforços com helicópteros para o despejo de água na grande área de mata nativa e de difícil acesso por terra. A corporação militar também conteve diversos focos de queimadas nos bairros Catarcione, Furnas do Catete, Ponte da Saudade, Loteamento dos Maias, Parque Imperial e Varginha, entre tantos outros. Nos últimos dias foram mais de 30 chamados para queimadas. A expectativa é que a chuva fina perdure para por fim a possíveis novos focos de incêndio em vegetação.
No bairro Chácara do Paraíso uma queimada na tarde de sábado, 1º, nas margens da RJ-150 (Nova Friburgo-São José do Ribeirão), altura do quilômetro 2,5, deixou os moradores do loteamento Parada Raquel sem energia elétrica, telefone e internet. O incêndio criminoso foi facilmente propagado devido a vegetação seca e atingiu a rede aérea. Alguns cabeamentos tiveram que ser substituídos. Moradores denunciaram aos bombeiros um vizinho que teria ateado fogo no mato com fósforos. De acordo ainda com a corporação, a maioria das queimadas tem origem criminosa. “Muita gente tem o costume de queimar lixo e folhas secas nos quintais e se esquece que nessa época do ano há muito vento e devido a falta de chuvas a vegetação ressecada serve de combustível para a propagação das queimadas”, comentou ontem um oficial do 6º Grupamento do Corpo de Bombeiros de Nova Friburgo.
Embora traumatizados com as chuvas do início do ano, a chegada da frente fria com garoa foi bem-vinda também pelos que foram indiretamente incomodados com as queimadas. “No domingo, 2, preferi usar o ar-condicionado para amenizar um pouco do calor e deixei as janelas e a porta da varanda do meu apartamento fechadas. Já estou cansada de varrer a casa toda hora para retirar a fuligem de queimadas que são trazidas pelo vento”, disse a dona de casa Ana Barbosa, moradora do Centro. “Já estava precisando chover um pouco para diminuir a poeira e aumentar a umidade do ar. Mas que a chuva seja leve e apenas suficiente para fortalecer a terra e favorecer o renascimento da vegetação. Nada de temporais. Nova Friburgo não merece mais desgraça”, comentou o aposentado Manoel de Moraes, 67 anos.

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