Neste 1º de maio, o Núcleo de Pesquisas da Universidade Candido Mendes inicia sua publicação semanal saudando e parabenizando todos os trabalhadores brasileiros que, mesmo sob incertezas, empecilhos, estresse e muito desgaste, presta seu serviço honestamente e trabalha cada vez mais para buscar um futuro melhor. Este profissional merece todas as reverências possíveis não só neste dia, mas durante todo o ano.
Sobre emprego e mercado de trabalho, muito tem se falado em uma crise generalizada, desemprego, recessão, etc. Antes de espalharmos o pânico desordenadamente, é importante nos atentarmos aos dados e fatos.
Numa rápida pesquisa no portal do IBGE, apuramos que em março de 2014 as demissões superaram as contratações em Nova Friburgo, fazendo o município perder 60 postos de trabalho. Já no mesmo mês de 2015, as contratações foram maiores que as demissões, gerando 142 empregos a mais que o número de desligamentos.
No ano inteiro de 2014, Nova Friburgo ganhou 84 postos de trabalho, mas janeiro de 2015 iniciou com a perda de 42 destes, sendo a perda de fevereiro ainda maior, de 140 vagas. Em resumo, neste ano “crítico” para o mercado, a tal crise nos empregos não chegou a Nova Friburgo (ao menos por enquanto), uma vez que no acumulado do primeiro trimestre do ano corrente o município perdeu apenas 40 postos de trabalho, representando 0,08% do total de empregos formais da cidade registrados em janeiro de 2015.
Numa comparação em nível estadual, fica ainda mais evidente o reduzido impacto já presente em nossa cidade. No estado foram perdidas em 2015 um total de 47.641 postos de trabalho, representando 1,22% do total de empregos formais apurados no início do ano.
Falar que a crise não chegou ou não chegará a Nova Friburgo seria leviandade de nossa parte, porém, ao abordarmos o assunto é importante que o tratemos com dados, sem super ou subdimensionamento da situação.
Em algumas publicações anteriores falamos aqui sobre o peso da cesta básica de alimentos no salário mínimo vigente no país desde 2011 e evidenciamos que, mesmo com alta da inflação e aceleração nos preços dos alimentícios em todo o país, o poder de compra do salário mínimo tem aumentado mais que a elevação destes preços pesquisados. Mas ainda estamos muito longe de uma remuneração mínima ideal para todos.
Conforme consta na Constituição Federal de 1988, em seu artigo 7º, o salário mínimo de um trabalhador deve ser “capaz de atender a suas necessidades vitais básicas e às de sua família com moradia, alimentação, educação, saúde, lazer, vestuário, higiene, transporte e previdência social”. E, todos sabemos que infelizmente com os meros R$ 788,00 fixados atualmente isso se torna uma missão impossível.
Para o Dieese, o salário mínimo necessário para que um trabalhador cumpra com todos os requisitos garantidos constitucionalmente seria de R$ 3.186,92 — mais de quatro vezes o piso atual.
Por estes e outros motivos, o 1º de maio é uma data mais reflexiva do que comemorativa. Que tipo de trabalhador estamos parabenizando? Qual é o emprego que devemos buscar e/ou gerar? A situação atual merece realmente uma comemoração? E o principal questionamento que todos devemos fazer diariamente: em que estou contribuindo para que no próximo ano tenhamos um pouco mais a comemorar?
Pesquisa
A pesquisa de preços do Núcleo da Universidade Candido Mendes é realizada sempre às segundas-feiras, no horário entre 15h e 18h, em seis supermercados, com produtos que integram a cesta básica pesquisada nacionalmente. Os valores estão sujeitos a mudanças, dentro de critérios adotados pelos lojistas.
A pesquisa calcula a variação percentual de cada produto, o preço médio de cada item e o valor total gasto mensalmente com cada um deles, considerando-se as quantidades propostas pelo Dieese.

Deixe o seu comentário