Centenário e Santa Cruz: duas localidades unidas por uma ponte

segunda-feira, 01 de abril de 2013
por Jornal A Voz da Serra
Centenário e Santa Cruz: duas localidades unidas por uma ponte
Centenário e Santa Cruz: duas localidades unidas por uma ponte

Dalva Ventura 

Fotos: Regina Lo Bianco

 Apenas uma ponte separa os dois lugarejos. Na prática, porém, Santa Cruz e Centenário, na Baixada de Salinas, formam um único lugar. Lindo de viver, com os Três Picos bem perto e os campos verdinhos, todos plantados. 
Com cerca de 700 moradores, Santa Cruz e Centenário integram um grupo de pequenas localidades, todas em Campo do Coelho, 3º distrito do município: Salinas, Baixada de Salinas, Jaborandi, São Lourenço e Três Picos. Para chegar lá basta entrar na RJ-130 (Estrada Nova Friburgo- Teresópolis), na altura do km 20, logo depois da Ceasa, e percorrer nove quilômetros de estrada asfaltada. Pertinho. 
Formada em sua maioria por lavradores, a comunidade vive em função do cultivo da terra. Uma vida dura, onde todo mundo trabalha de sol a sol com uma disposição de causar inveja a quem mora na cidade. As mulheres acompanham o ritmo dos maridos, embora muitas estejam trocando o serviço na lavoura para trabalhar como doméstica ou nas confecções locais. 
Os moradores levam uma existência simples, mas tranquila, a não ser que aconteça alguma intempérie da natureza, como a recente inundação que alagou as plantações locais. No mais, a vida segue na maior tranquilidade. Aliás, o tempo—seja a seca ou a chuva—vira e mexe é motivo de sustos e prejuízos e nada se pode fazer a respeito. 

LUGAR TRANQUILO, COM BOAS CASAS E MUITA TRANQUILIDADE
 É um lugar bom de morar, afirmam. Violência zero ou quase zero, só perturbada por eventuais e raros furtos de pequena monta. Tanto em Centenário como em Santa Cruz todos se conhecem e se ajudam nos momentos de dificuldade. Pena que não exista uma só pracinha para as crianças brincarem e os moradores possam se reunir no fi m da tarde para um bate-papo. Esta é, aliás, uma das poucas reivindicações do pessoal de lá. Já existe um projeto para construção da praça, mas até hoje não saiu do papel. 
Como acontece em diversas localidades, os principais pontos de encontro são mesmo os bares e as mercearias. No verão a turma se esbalda nas diversas cachoeiras da região. O ginásio coberto da Aldeia da Criança Alegre e a quadra de futebol do bairro também são muito utilizados pelos moradores. 
As reuniões da Associação de Produtores Rurais de Santa Cruz, Centenário e Jaborandi (Aprosac) são muito concorridas. A comunidade participa ativamente das reivindicações e decisões, fortalecendo cada vez mais a entidade. Segundo o atual presidente, Daniel Cardoso, os encontros chegam a reunir mais de cem pessoas. A Aprosac tem uma atuação efetiva na vida dos moradores. Tem sede própria, intermedeia financiamentos para a lavoura, conseguiu comprar três tratores que servem aos agricultores, marca presença nos bons e maus momentos, como os vividos na inundação da semana passada, enfi m, cumpre seu papel e é reconhecida por isso. 

QUEIXA DIZ RESPEITO À ILUMINAÇÃO PÚBLICA
 O maior problema é a iluminação pública. Se não fosse a associação, as ruas estariam num breu total. Para não ficarem na escuridão absoluta, já há algum tempo a Aprosac firmou parceria com a Secretaria de Serviços Públicos. Quando a Prefeitura não dispõe de lâmpadas, a entidade mesmo compra e a secretaria fornece a mão de obra para a instalação. 
Outra queixa dos moradores diz respeito à telefonia celular. O sinal de nenhuma operadora é captado por lá. Bastaria instalarem uma antena. Afinal, hoje ninguém vive sem celular. Na falta, o jeito é se virar apenas com o telefone fixo ou com os orelhões, que são bastante utilizados por lá. Já a internet, quem quer pode ter, pois funciona bem, sem problemas. 
Depois de um ano sem médicos, o posto de saúde de Centenário finalmente voltou a contar com uma médica, contratada através do Programa de Valorização da Atenção Básica (Provab), do governo federal. Um alívio para todos, que eram obrigados a vir até a cidade para serem atendidos. 
Ao contrário de tantos bairros, o serviço de transporte parece funcionar bem. Os moradores pelo menos não têm queixas. Circulam de hora em hora, o sufi ciente, segundo o pessoal, para dar conta do recado. 
O que mais chama a atenção em Centenário e Santa Cruz é o comércio. Só padarias são três. Lá tem, literalmente, de tudo, inclusive supermercado, além de mercadinho, farmácia e diversas lojas de roupas. Ninguém precisa a rigor sair de lá para fazer compras. 
Igrejas, só evangélicas. A católica está em fase final de construção e por enquanto as missas estão sendo realizadas na Aldeia da Criança Alegre. 
As crianças estudam na Escola Municipal Waldir Lopes de Carvalho ou na Escola Rei Alberto I (Ibelga), que também oferece ensino médio, com ênfase em tecnologias agrícolas. 
Por todas estas razões, os moradores afirmam não ter motivos para queixas. Gostam de morar ali e ninguém pensa em se mudar, nem mesmo os jovens. Alguns até saem para continuar os estudos, mas a maioria acaba voltando.

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