Celso Novaes: ‘e a culpa é da Autran?’

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010
por Jornal A Voz da Serra

Por Celso Novaes

Todos sabem que sou um estudioso da segurança pública e por consequência também do trânsito, me realizo profissionalmente estudando ambas as matérias, e sempre no intuito de ajudar alguém, pois nunca mais pensava em voltar à atividade pública.

Assim, quase sempre em todas as conversas que participava, quando o assunto era administração municipal – segurança e trânsito – só escutava críticas e mais críticas à atuação da Autran. Em todas as rodas que participava, a autarquia municipal era o pior setor, sendo taxada das mais variadas críticas: omissa; despreparada; desarrumada; cabide de emprego e por aí vai.

Você, quando não tem subsídios para contestar, o mais que pode e deve fazer é ficar quieto até que tenha conhecimentos fáticos que lhe darão o devido embasamento para uma discussão ou até uma defesa do órgão municipal.

Por incrível que pareça, fui convidado e aceitei dirigir pela segunda vez na cidade o órgão de trânsito numa tentativa de melhorar e humanizar o trânsito na cidade. Sempre disse e repito que cada um exerce suas funções de maneira profissional e ao talante de sua personalidade, e eu tenho a minha calcada em 37 anos de caserna e não vou e nem quero mudar hoje.

Encontrei a autarquia mudada e diferente da que deixei há dez anos. Solução: colocar as coisas conforme o meu entendimento, sem críticas a ninguém. Tudo isso foi dito para explicar do jeito que vocês possam entender o que eu vou dizer agora. Em cinco dias de observação como ia a Autran, comecei a mudar o que no meu entendimento precisava ser mudado com urgência: primeiramente, valorização do pessoal, aumentando a autoestima dos agentes, fazendo ver a eles que são de importância vital para o bem-estar da população no dia a dia, qualquer outra colocação à respeito é mentira. Deu resultado, eles entenderam a minha mensagem e realmente foram à luta, orientando o trânsito como objetivo maior e por minha orientação notificando aqueles que ainda teimam em descumprir as placas de sinalização. O trânsito começou a tomar nova cara e uma nova diretriz, agora com efetivo comandamento, falta ainda aplicar – e vamos aplicar – várias coisas: melhoria da sinalização; plaqueamento correto das vias orientando os usuários e visitantes; sinalizar com clareza alternativas de acesso; aumento do número de agentes; capacitação e valorização constante desses agentes. Sabem o que está acontecendo? O meu telefone celular, inclusive da minha residência, não para, reclamando que a Autran está trabalhando. São aqueles mesmos que reclamavam e criticavam constantemente da inércia da autarquia. Eles querem descarregar – no centro de uma cidade – fora do horário; estacionar onde melhor lhes convém, principalmente em fila dupla e até tripla (fecham o carro e vão à luta); calçadas para eles é via – estacionamento com quatro rodas; faixa de pedestre é enfeite de rua; falta de habilitação é mero detalhe; licenciamento de veículo é coisa careta; farol é enfeite de carro; todos estão treinando para a fórmula um, o excesso de velocidade campeia; burlam ostensivamente o pagamento do estacionamento rotativo; menor dirigindo é a gloria do pai; parar em frente aos bares, beber e sair dirigindo, é via de regra; motos em zig-zag – até por cima das calçadas – são constantes; quando o carro é rebocado, o primeiro pedido é isenção do pagamento das taxas devidas; e por aí vai.

Cheguei a uma triste e penosa conclusão: antes de humanizar o trânsito de nossa cidade, vamos ter que humanizar primeiro os nossos usuários, fazer ver a eles que trânsito é um ritual integrado de fases complexas; a insensatez de cada um reflete com ampla intensidade na casa do vizinho, e a Autran que se vire para agradar.

(*) Superintendente

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