CDL e SinComércio apresentam reivindicações ao governo estadual

terça-feira, 05 de fevereiro de 2013
por Jornal A Voz da Serra

Diretores da Câmara de Dirigentes Lojistas e do Sindicato do Comércio Varejista de Nova Friburgo se reuniram na noite da última quinta-feira, 31, na sede da CDL, com o subsecretário estadual de Reconstrução da Região Serrana, José Beraldo, e o chefe de gabinete da secretaria estadual de Governo, Affonso Monnerat. O encontro foi marcado depois que o presidente das entidades, Braulio Rezende, enviou correspondência ao governador Sérgio Cabral e ao vice-governador, Luiz Fernando de Souza Pezão, solicitando que o estado acelere a construção da Estrada do Contorno e cobre da Concessionária Rota 116 obras emergenciais e de manutenção na rodovia RJ-116. O presidente reiterou os pedidos aos representantes do estado e contou que o vice-governador garantiu a ele, em telefonema na semana passada, que este ano dará início ao projeto da Estrada do Contorno.
“Pezão me disse que isso acontecerá em março, por intermédio de uma parceria público-privada. Ele também me revelou outras duas importantes novidades para Nova Friburgo e região: que vai implantar aqui o Hospital do Câncer e está lutando por uma faculdade de Medicina”, comentou.
Segundo Braulio Rezende, o vice-governador explicou que o estado obteve R$ 75 milhões com o governo federal para desapropriação da área onde funcionou o Centro Adventista de Vida Saudável (Cavs) e instalação no local de uma unidade para tratamento de câncer. Esta ideia nasceu no governo Heródoto Bento de Mello e ganhou apoio do secretário de Saúde, Sérgio Côrtes. Quanto à faculdade de Medicina, Pezão afirmou que está concluindo as negociações com a presidente Dilma Rousseff, mas já sabe que o curso será ministrado pela Universidade Federal Fluminense (UFF), provavelmente no prédio da antiga Fábrica Ypu.
Braulio apresentou para Affonso Monnerat e José Beraldo as razões pelas quais considera urgente a construção da Estrada do Contorno. “É a única alternativa para livrar o perímetro urbano de Nova Friburgo do tráfego de veículos pesados, que causa engarrafamentos, acidentes, estraga ruas e avenidas, prejudica o dia a dia dos friburguenses e a nossa qualidade de vida. A maioria dos caminhões, carretas e treminhões vem ou está indo para o polo cimenteiro, transita por dentro da cidade porque é mais barato do que dar a volta por Além Paraíba, e Nova Friburgo é que paga a conta. Até sugiro ao estado que chame as cimenteiras para contribuírem com a Estrada do Contorno, que interessa bastante a elas”, acentuou.
Braulio Rezende falou ainda sobre a necessidade de obras de manutenção em toda a extensão da RJ-116 e emergenciais na serra de Nova Friburgo, em especial na curva situada no quilômetro 54 e nas duas pontes do quilômetro 53, onde recentemente ocorreram vários acidentes com mortes. Ele reivindicou que o governo do estado exija da Rota 116 melhorias na estrada, que fica mais perigosa a cada dia.
“Não adianta encher a estrada de pardais e multar os motoristas. Nem manter o argumento de concessão deficitária, porque hoje o volume de veículos na rodovia aumentou demais, em função do Comperj [Complexo Petroquímico do Estado do Rio de Janeiro, no município de Itaboraí]”, ressaltou.
Affonso Monnerat informou que mandou ofício convidando a Rota 116 para discutir os assuntos levantados por Braulio Rezende. Ele mencionou que a construção da Estrada do Contorno foi um tema que “reacendeu dentro do governo” com a correspondência encaminhada pelo presidente da CDL e do SinComércio. Ex-prefeito de Bom Jardim, que deixou o cargo para trabalhar na reconstrução dos municípios atingidos pela catástrofe climática de janeiro de 2011, Affonso assegurou que seu objetivo, em qualquer órgão em que esteja lotado, é o desenvolvimento da Região Serrana.
“Na emergência e nos seis meses posteriores à catástrofe, conseguimos fazer muita coisa, o estado entrou forte nessas cidades. Infelizmente, a partir dali, os entraves burocráticos apareceram e tudo caminhou num ritmo mais lento. A interrupção de obras por dificuldades junto aos ministérios, à Caixa Econômica, ao Tribunal de Contas ou ao Ministério Público não é compreendida pela população, e não tem mesmo que ser. Na verdade, não existe legislação para enfrentar catástrofes no nosso país, mas eu guardo esperança de que este problema seja visto de forma diferente algum dia”, confessou.
O engenheiro José Beraldo, que assumiu a subsecretaria de Reconstrução da Região Serrana quando Affonso Monnerat se transferiu para a secretaria de Governo, também se queixou dos obstáculos que impedem o começo de algumas obras e a continuação de outras. Ele esclareceu que o órgão atua em três vertentes: pontes, encostas e casas populares. Em Nova Friburgo, José Beraldo acredita que o balanço parcial das obras seja positivo.
“Das 20 pontes em que precisávamos intervir, cinco estão prontas e 15 em fase de revisão de projetos. Finalizamos a contenção de encostas, incluindo a drenagem dos morros, no Centro; estamos com obras em andamento em vários bairros, como Duas Pedras; e outras já estão licitadas”, resumiu.
Em relação às casas populares, o subsecretário confirmou que o governo do estado entregará 2.160 unidades dentro do programa “Minha Casa, Minha Vida”. José Beraldo admitiu atraso na construção, mas salientou que ele se deveu, principalmente, à busca por locais adequados.
“Passamos quase um ano procurando terreno e investimos R$ 72 milhões para torná-lo seguro. Neste momento, realizamos a terraplanagem, e o serviço social do estado está na cidade, cadastrando famílias para receberem as casas. Agora entramos na fase de conscientização, que é fundamental porque o governo tem que mapear as áreas de risco e não permitir que a população volte a construir nelas”, acrescentou o engenheiro.

TAGS: