O secretário estadual do Ambiente, Carlos Minc, e a presidente do Instituto Estadual do Ambiente (Inea), Marilene Ramos, iniciaram nesta quinta-feira, 12, a demolição de 15 imóveis situados em área com alto risco de inundação nas margens do Córrego Dantas, em Nova Friburgo. A região, que sofreu com a enchente há um ano atrás, será beneficiada com obras de dragagem, proteção de taludes e com a implantação de um parque fluvial que vai evitar novas ocupações.
De acordo com Carlos Minc, a demolição dos imóveis só acontece após o cadastramento e a negociação com os moradores, que podem optar por se inscrever em programas habitacionais, fazer a compra assistida de outro imóvel com recursos do estado ou receber uma indenização em dinheiro. Além disso, as obras realizadas não têm caráter paliativo:
“Não estamos enxugando gelo. Estas obras têm caráter estrutural e representam uma solução definitiva para o problema das enchentes nesta região, que terá um parque fluvial com reflorestamento e ciclovia”, disse Minc, acrescentando que obras semelhantes foram feitas nas margens dos rios Iguaçu, Sarapuí e Botas, na Baixada Fluminense, com resultados positivos na prevenção de enchentes.
Com uma marreta, Minc e Marilene deram início à demolição do imóvel de dois andares situado na Rua Alexandre Bachini, 405, onde funcionava um bar no andar térreo. Assim como as demais residências interditadas pela Defesa Civil, o imóvel ainda ostenta as marcas na parede, de um metro e meio de altura, enchente de janeiro de 2011. A demolição foi concluída com uma escavadeira e o trabalho vai prosseguir nos próximos dias. A presidente do Inea explicou que a primeira fase do trabalho está sendo realizada em caráter emergencial.
“Após esta primeira fase, faremos as licitações para as demais obras, que incluem os parques fluviais, com recursos totais de R$ 250 milhões repassados pelo governo federal. O objetivo do parque fluvial, além de criar uma área de lazer e reflorestar as margens dos rios, é proporcionar uma área de segurança em caso de novas enchentes. Se elas acontecerem, poderemos ter de recuperar os danos sofridos pelo parque, mas a população não será atingida”, explicou Marilene.
O parque fluvial ao longo do Córrego Dantas terá áreas de lazer, mobiliário urbano, equipamentos para realização de atividades esportivas, além de dispositivos de controle de inundações, como bacias de detenção, pavimentos permeáveis e trincheiras de infiltração. As margens do rio também passarão por reflorestamento ou revegetação, com priorização do uso de espécies vegetais nativas da Mata Atlântica. O Inea também fará obras de canalização, dragagem e construção de barragem de amortecimento de cheias no Rio Bengalas.
Marilene explicou que as demolições estão começando somente agora porque foi necessário concluir, em primeiro lugar, o estudo técnico que definiu as áreas com alto risco de inundação. A seguir, houve o cadastramento dos moradores destas áreas e a negociação para estabelecer qual a forma de compensação pela perda do imóvel, conforme as três opções oferecidas pelo governo estadual. De acordo com a presidente do Inea, 26 indenizações já foram pagas nos três municípios e outras 60 estão prontas para pagamento.
“Atualmente existem recursos disponíveis para 1,2 mil indenizações na Região Serrana, mas este total poderá ser elevado caso necessário”, informou Marilene.

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