Max Wolosker Neto
Quem precisou ir a Niterói na sexta feira, sofreu com o calor que se prenunciava já de manhã e se consumou ao longo do dia, quando em São Gonçalo, o termômetro do meu carro chegou a acusar 42° C, temperatura capaz de acabar com o bom humor de qualquer cristão. No entanto, os dissabores causados pela Autopista Fluminense S.A., concessionária da BR 101, deixaram no chinelo qualquer outro aborrecimento.
Todos sabem que as sextas-feiras são marcadas pelo aumento da circulação de veículos, pois muitos já saem de carro para o trabalho com a intenção de viajar, ao final do expediente, ou para a região serrana ou para o litoral. Pois foi justamente o dia escolhido pela concessionária para asfaltamento do trecho que vai do Carrefour até o Shopping São Gonçalo, o que originou um engarrafamento.
Com o transito limitado a uma pista e com sinalização deficiente, quem por ali transitou pagou seus pecados e ainda ficou com crédito. Não sei se a Polícia Rodoviária Federal foi avisada, mas seus policiais não deram o ar da graça como sempre, e o já conhecido jeitinho brasileiro, sinônimo de má educação e desrespeito propiciou a famosa circulação pela pista de acostamento, pondo em risco a integridade de pedestres e motoristas e tornado o transito ainda mais caótico.
Município abandonado, sujo e quente, mal-sinalizado acabou complicando a vida dos que como eu, tentaram uma saída alternativa. Num determinado momento, acabamos chegando numa rua sem saída em que certamente seríamos assaltados se fosse à noite. Mas não fui só eu, pois no mesmo beco sem saída estavam um caminhão e outros dois carros.
O pior é que depois, ao conseguir uma informação confiável, acabei voltando ao ponto de partida, para o engarrafamento da BR 101, dando voltas como um verdadeiro peru tonto. Agora, isso se deu por volta da uma da tarde, quando o trabalho estava em andamento, sem previsão de horário para o término da obra. Assim, dá para imaginar como estaria o transito, mais tarde quando as pessoas começassem a sair do trabalho e, em consequência, o humor das pessoas.
Nada contra os reparos na estrada o que, aliás, falta em vários trechos da RJ-116, administrada pela Rota 116 S.A., que está em péssimo estado para uma rodovia pedagiada. No entanto, o conforto do motorista é uma das obrigações, ou deveria ser, das concessionárias e esse tipo de serviço poderia ser feito à noite ou em dias em que sabidamente o número de veículos em circulação é menor.
Diferentemente do que ocorre nos países de primeiro mundo o motorista no Brasil, principalmente o do Estado do Rio de Janeiro, não tem alternativas ou transita em estradas pessimamente conservadas ou tem que pagar pedágio, muitas vezes extorsivos como o da Via Lagos cujo estado da pavimentação não está à altura do pedágio cobrado. O correto seria nos oferecer uma alternativa, para que pudéssemos optar entre rodar numa via não paga, mas com razoável nível de conforto e segurança ou numa rodovia paga, com trajeto mais curto e com apoio condizente ao valor pago em cada praça de cobrança.
Como o objetivo da viagem foi a renovação do passaporte de minha mulher, não poderia terminar sem elogiar o atendimento prestado pelos funcionários do setor de expedição de passaportes da Polícia Federal, em Niterói, em especial à Priscila, pela presteza e paciência no trato com o público.

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